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Ainda dá pra ver a política em seu sentido positivo? Será que o STF, no julgamento do mensalão ajudará a isso? No link a segui faço alguns comentários sobre o tema.

O mensalão, a corrupção e a “fratura” no conceito de política.

Em matéria de hoje, da Folha de S. Paulo, o Hospital das Clínicas terá primeiro centro de atendimento a pessoas dependentes de celular no próximo semestre. A ideia de ver o aparelho como um “pedaço do corpo”, só teria se intensificado com a proliferação dos smartphones e suas dezenas de aplicativos e atrativos.

Não á toa o campo Psi (psicanálise, psicologia e psiquiatria) voltam cada vez mais o olhar para esta nova forma de “dependência” ou, no mínimo, como cita Cristiano Nabuco, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, uma “relação absurdamente descontrolada”.

Para alguns parece não haver vida sem o celular a seu alcance. Mas, pior que isso, se conseguimos ficar sem ele, somos permanentemente cobrados por isso. Quem já não se pegou experimentando alguma dose de angústia por estar sem o aparelhinho?

Assim, como vivemos um tempo especialíssimo no sentido de se nomear novas síndromes e novas formas de angústia, alguns chamam a isto de nomofobia. O nome deriva da expressão inglesa “no mobile” (sem celular) e estaria marcada pelos sinais clássicos da angústia (palpitação, desconforto, pânico, etc.).

Trata-se de uma angústia causada pelo fato de estar “desconectado”, ou seja, sem o aparelho celular, ou, como na maioria dos casos, “os aparelhos celulares”. Sem dúvida, é mais uma variação de comportamento patológico trazida pelas novas tecnologias.

O medo de “estar só”, de “não poder pedir ajuda”, de “não ser facilmente localizado”, me parece está na base desta angústia que, no cotidiano, realmente, produz momentos de pânico.

Como uma teimosa defesa contra esta situação de dependência, sempre digo e enfatizo, relembrando uma propaganda de um tempinho atrás: “não sou um ligador…sou um recebedor”.

Mas, isto não basta. É preciso muito mais para colocarmos essas tecnologias a nosso serviço, sem sofrimentos, e não nos escravizarmos, ou nos tornarmos dependentes delas.

O professor Paul Singer esteve hoje no Roda Viva (TV Cultura). Sem dúvida, é um dos principais intelectuais brasileiros e tem se dedicado intensamente à questão da economia solidária, que define como uma alternativa ao capitalismo. A entrevista só consolidou a imagem que possuo do prof. Singer: um intelectual crítico e humanista.

Singer não esconde de ninguém sua “decepção” com o PT, que ajudou a fundar. Para ele, o crescimento do PT, inevitável, o transformou numa máquina eleitoral e lhe tirou a utopia, tão necessária ás verdadeiras mudanças. Hoje, o partido precisaria de uma oposição (de esquerda) que lhe tirasse da posição cômoda.

O debate contou com participações expressivas como Maria Victória Benevides e Ricardo Antunes. O jornalista Marcelo Parada tocou em uma questão que me interessa especialmente: qual a visão do mundo política que estes setores emergentes trazem consigo? Trata-se de setores que vai endossar uma visão crítica da política ou vão se render ao consumismo? Infelizmente o tema não foi aprofundado.

Fica o respeito pelo professor… um humanista e um educador de primeira linha, que fez sua opção partidária, mas nunca perdeu sua autonomia intelectual. Certamente, um exemplo.

Clique neste link para ler: O conteúdo alucinógeno do consumismo (M. Tiburi e C. Dunker).

Texto Freudiano. Click neste link para ler: Resenha de Hipnotismo, de August Forel (Freud, 1889).

Em sua coluna desta edição 167 da Revista Cult, V. Safatle comenta rapidamente sobre a difícil relação da arte moderna com a linguagem passada. O assunto me chamou a atenção por me encontrar sempre buscando respaldo em alguma “linguagem” do passado para encontrar algum conforto no presente.

Safatle se utiliza do exemplo da música para fazer seus comentários e, para isso, fala em “ruínas”, mas não como algo morto, sepultado, e sim como algo que nos assombra, “o pesadelo de uma linguagem arruinada porque nunca morre, linguagem que tira de algum lugar estranho a força de não querer morrer”.

Talvez quem não tenha vivido um pouco de um tempo passado e se encontre totalmente imerso nas posturas pós-modernas que a tudo descartam e tornam efêmero e substituível, não compreenda este texto. Mas, muitos, de alguma forma, estão sempre se ressentindo de algo que, por vezes, não se sabe bem o que é.

Vivemos uma época de pura instabilidade, de ausência de pilares em todos os sentidos. As linguagens (na arte especialmente) se sucedem freneticamente buscando superar-se constantemente seguindo estreitamente a chamada “lógica da moda” que trabalha com a oposição entre o “novo” e o “ultrapassado”. Mas, o que percebo é que há sempre uma tentativa de retorno, um retorno a um passado que teima em sobreviver. O ímpeto da pós-modernidade e sua voracidade já não lhe permite criar nada, sustentar nada e, por isso, vez por outra, busca alimentar-se do passado, oferecendo-lhe uma nova “leitura”.

De forma geral, isso nada mais é do que uma exemplificação de que há algo lá atrás que nos sustentou e que não pode morrer, pois se morrer, em que poderemos nos sustentar?

Talvez seja por isso que, sendo um amante da música como sou me sinta profundamente incomodado com a proliferação de uma linguagem musical que a nada sustenta, que é fruto do mero desejo de auto-superar-se, que é vítima do “hit do verão”. Talvez seja justamente por isso, que a música de um passado recente, para muitos, não faça sentido, mas, para outros, seja, justamente, a possibilidade de sustentação.

Experimentei isso, várias vezes, na recente turnê do álbum The Wall. Não foram poucas as pessoas que perguntavam: mas por que agora? ele ainda está vivo? Mas ele está tocando a mesma coisa de 40 anos atrás! isso é coisa do passado! Há, então, em muitos, certa perplexidade com a sobrevivência do passado. E aqui trago uma frase de Safatle que auxilia nesta compreensão.

Não se trata aqui de um mero movimento de regressão. Na verdade, estamos diante da estetização da consciência de que nosso mundo é feito de palavras que perdem força, de figuras em desaparecimento, de formas que envelhecem, mas que continuam, ainda, a mobilizar nossos desejos, um pouco como esses objetos infantis que guardamos, como se eles fornecessem uma cartografia das estações pelas quais nossas promessas de felicidade passaram.

O passado é ruína? Sim! Mas não está morto, e dele nós precisamos, constantemente. Do contrário só nos restará caminhar sobre um terreno pantanoso, e sem nenhuma direção! esta é a função de uma show como o de Roger Waters… dar força às palavras… mobilizar desejos que há muito podem estar paralisados… reacender nossas promessas de felicidade!

G. Therborn, sociólogo marxista (Cambridge), estará no Brasil para lançar “Do Marxismo ao Pós-Marxismo?” E, em entrevista à Eleonora de Lucena (Folha, Ilustríssima) situa os atuais movimentos de esquerda como “defensivos”, “incapazes de virar o jogo político”.

Segundo ele, o crash financeiro e a aceleração da desigualdade econômica não colocaram a esquerda na ofensiva social em lugar nenhum. Os grandes protestos, portanto, têm sido claramente lutas defensivas.  Mas, como explicar isto?

Acredito que ele nos dá uma boa chave para a interpretação quando diz que muitas mudanças estão acontecendo sem uma causa em comum“. Crash financeiro de um lado, Primavera Árabe de outro; Crise econômica na Europa de um lado, crescimento dos Brics de outro. A questão é que nada estaria tão fortemente conectado numa relação de causa e efeito.

O que parece ridículo, num mundo cada vez mais interligado por redes de comunicação. Mas, não é esta a questão, podemos até estar conectados pelas redes, mas não estamos motivados pelos mesmos problemas.

Isso não estaria fazendo com que os movimentos sociais perdessem sua maior conotação política? Sua capacidade de integração? É algo a se pensar. Por vezes não há como não ver em certos movimentos sociais um arremedo de luta política, principalmente aqueles que nascem das redes sociais. São agregadores, são! mas são impotentes, são acessórios, são esteticamente interessantes, mas potencialmente fracos. Parecem-me mais produtos para a mídia e, logo após, visibilizados, trazem o prazer e logo são esquecidos.

Therborn também comenta sobre a democracia (em seu sentido limitado, de eleições competitivas) e nos diz que ela não corre sérios riscos. Concordo, mas isso não quer dizer que ela não perca cada vez mais substância sob populismos e autoritarismos disfarçados. Mas, por que isto?

As crises econômicas atuais não são suficientemente fortes para incrementar a miséria e o desespero, segundo Therborn, como na década de 20 e 30.

O mundo, me parece, está cada vez mais conectado, mas, justamente por isso, as relações se tornaram mais complexas. Não há um determinismo simples do tipo centro-periferia. Isso, certamente, vai exigir uma nova forma de ação dos movimentos sociais.

Mas, aí esbarramos em outro problema: a força ideológica do individualismo atual, essencialmente burguês (consumista), de um lado, e outro individualismo existencial (afirmação do estilo de vida individual). Parece que vai sobrar pouco espaço para a solidariedade e para a empatia com o outro.

Therborn toca em assuntos centrais. Talvez não ofereça a melhor saída, mas nos leva a pensar. A mim, interessa dizer que vejo o mundo, embora conectado pela comunicação, desconectado na luta política, sem interesses comuns e marcado por um individualismo exacerbado e… politicamente impotente. Vamos ver no que isso vai dar.

Observação de um caso grave de Hemianestesia em um homem histérico (Freud, 1886).

Texto Freudiano

Prefácio à tradução das Conferências sobre as doenças do sistema nervoso, de Charcot (Freud, 1886).

Texto freudiano

Relatório sobre meus estudos em Paris e Berlim (Freud, 1886).

Texto freudiano.