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Archive for the ‘Cidadania’ Category

É muito interessante como um incêndio se alastra com velocidade, principalmente quando tem muita gente soprando. Quando foi divulgado o caso da rejeição de parte dos moradores e comerciantes de Higienópolis pelo metrô em determinado lugar do bairro imediatamente se desencadeou uma “batalha” no campo de lutas virtual.

Foram inúmeros os defensores do bairro e inúmeras as críticas. Mas, ao invés de se discutir a questão que me parece de fundo, o preconceito, se escorregou rapidamente para agressões as mais estúpidas possíveis.

De imediato, por exemplo, detectei que os argumentos eram bobos. Falava-se em “situações de maior constrangimento”, possibilidade de “camelódromo”, “carrocinhas de cachoro-quente”, “gente diferenciada”, etc., dando a entender que uma estação de metrô traz sempre consigo uma certa “marginalidade”. E eu disse, puro preconceito, afinal, é o que existe por trás de justificativas assim, tão desprovidas de racionalidade.

Nenhuma questão técnica veio à tona e o debate ficou no âmbito das hipóteses, do tipo: o que aconteceria se surgisse uma estação de metrô no coração do bairro? A partir daí os preconceitos vieram à tona. Mas ele não foi discutido, e sim usado como arma. Logo após a disseminação de teses contrárias ao metrô no bairro veio uma enxurrada de críticas anti-semitas e ameaças de agressão física, por exemplo. Enquanto a discussão estava no nível do preconceito, acreditei ser legítimo discutí-la, mas deslizar para o racismo e violência é outra coisa. Pode virar uma questão criminosa.

Posso acreditar que a maioria dos argumentos que li sobre a recusa do metrô no bairro, são pobres, preconceituosos e ignorantes, mas isso tem a ver com “desconhecimento”, com um comportamento “elitista”, mas daí endossar teses anti-semitas ou de apologia à violência é brincadeira. Foi isto o que vi ontem, em alguns momentos, no Twitter.

Vamos discutir e nos confrontar como indivíduos que moram na mesma cidade, mas não como “grupos organizados” onde facilmente a razão escapa e só sobra espaço para o ódio.

Também li muita coisa que dizia que isso era coisa do PT e eu disse que ideologizar esta questão é escapar ao centro da discussão que é o preconceito. Mas, aí o próprio ex-presidente Lula se envolve, dando pitaco numa questão onde entrou só pra tirar uma “casquinha”.

Dizer, como ele disse, que “não sei como pessoas educadas tem tanto preconceito” soa como um baita oportunismo político, principalmente vindo de um ex-presidente que ao longo de todo o seu segundo mandato trabalhou dentro de um discurso conflitivo sustentado no “nós x eles”, estimulando um preconceito “torto”, e tentando mostrar que “elite” é sinônimo de tudo o que não presta. Uma coisa, afinal é “elite” (da qual ele mesmo faz parte), outra coisa é comportamento “elitista” (que implica usar certas vantagens em prejuízo do outro). Ele não pode esquecer que agora recebe até R$ 500 mil dólares por 40 minutos de “stand up…”.

Essa é a típica questão que deve ser discutida pelos cidadãos e com o poder público, e não é aconselhável comentários oportunistas e demagógicos, nem de um lado, nem de outro. Até porque não surgem para lidar contra o preconceito e sim para estimulá-lo.

A questão tende a passar, mas fica a lição de como um tema, por mais simples que seja, desperta ódios e oportunismos. E, mais uma vez, a discussão sobre o preconceito, e da cidadania, passa batida.

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Nas últimas 48 horas um tema local ganhou relevância no mundo das redes sociais. Trata-se da questão que envolveu a mudança de planos para uma nova estação do metrô no bairro de Higienópolis, aqui em SP. Só resolvi escrever algo aqui porque enxerguei uma boa conexão entre temas que, de uma forma ou de outra, estão sobrevoando por aí. O fato é que, após uma série de ressalvas o bairro teria conseguido transferir o local da futura estação.

Pouco interessam, agora, as alegações iniciais, afinal de contas, o que veio à tona foram as alegações reais, aquelas que são ditas pela boca dos que ali moram, através de redes sociais principalmente. E, quanto a isso, a única coisa que dá para se enxergar é um baita preconceito. Algo que, como todo bom preconceito, beira a ignorância.

Há uma quase unanimidade nestas alegações de que a futura estação traria toda sorte de problemas: barraquinhas de cachorro-quente, currasquinhos, comércio ambulante, etc. Ora, cá pra nós, quem não gostaria de uma boa barraquinha de cachorro-quente bem próxima de casa? E quem disse que estaçãod e metrô forma um cameódromo às suas portas. Mas, enfim, como o próprio nome do bairro deixa bem claro, aquela lá é uma região onde se preserva a “higiene”, sim, uma “higiene social”. Afinal, não foi assim que o bairro nasceu? Como alternativa à parte da elite que queria fugir dos esgotos e doenças do centro de São Paulo?

Mas, o preconceito é ainda maior. Tem-se falado que “é coisa do PT”, “é coisa de pobre”. Ora, a muito tempo PT deixou de ser “coisa de pobre” (é só ver o valor das palestras de Lula, aliás hoje ele fez mais uma e, dessa vez, “oculta”?????). Mas, também não é esta a questão. Não adianta querer ideologizar a questão. É besteira. Não se trata de ideologizar, mesmo que os petistas usem este fato para fazer demagogia, e sim de revelar o que a questão tem de principal: Preconceito. O mesmo preconceito que marca aquelas situações em que pouco se conhece sobre o assunto e se emite opiniões as mais calorosas possíveis. Por isso se chama “pré-conceito”, porque é um tipo de pensamento que vem antes da ponderação, da observação, da definição.

Sim, preconceito e dos mais grandes, afinal, essa parte da elite que rejeita o metrô, rejeita o que vem dentro do metrô, seu usuário, como se este fosse ferir a “higiene” do bairro. Que pensamento é este? Trata-se de uma dissociação, uma espécie de delírio, algo que beira a esquizofrenia, e, em casos mais graves, a catatonia. Sim, porque há muito de fantasia nestas alegações.

Por que dissociação? Ora, a estação de metrô não é para os moradores de Higienópolis, talvez para alguns, mas é para as pessoas que, tem que ir para lá trabalhar, ou resolver problemas. Os moradores podem continuar tranquilamente “flanando” pelas praças e ruas arborizadas e podem nem chegar perto da estação de metrô, mas impedí-la, pra que? Ou essa parte dos moradores acha que todos que circulam por ali são abastados.

Enfim, o fato é que essa parte da elite revela uma certa ignorância em recusar algo que vem para o bem da cidade. O que há por trás dessa recusa? Um sonho delirante de ainda estar vivendo uma época de glamour. Delírio, puro delírio de uma parte da elite que um dia sonhou-se grande e acreditou nisto. Ora, pensem bem…vivemos no Brasil. O fato de ali ter uma praça chamada Buenos Aires e de ter ruas com nomes franceses não ajuda muita coisa…continua sendo o Brasil. Só o sonho é que é “argentino”, “parisiense”, “europeu”…Falo desta forma porque li coisas muito fortes e absurdas na internet que só servem para alimentar o ódio entre grupos sociais.

Vamos cuidar disso, afinal, desse jeito, fica difícil defender a elite a cada ataque que ela recebe. Isso não é ser “tradicional”, é ser ignorante. Ninguém aqui está defendendo este “progresso” maluco que anda por aí. Justamente por isso me apego à defesa do metrô. Moro na região da Av. Paulista e, por mim, quanto mais estações houverem na cidade melhor. O metrô é um bem da cidade e eu o considero uma opção de transporte muito mais inteligente e saudável que esse monte de carros que andam por aí desfilando sua sujeira pela cidade. Isso mesmo. Outro dia, estava num taxi e o motorista, muito orgulhoso, me disse: “São Paulo já tem quase 7 milhões de carros doutor”… Mas, acho que ele não gostou de minha resposta. Eu simplesmente disse:

“que pena né”.

Essa discussão pelos moradores do bairro só revela mesmo desconhecimento e preconceito: que tipo de constrangimento uma estação de metrô pode trazer para uma cidade ou um bairro? Por acaso existe algum “camelódromo” vinculado a alguma estação de metrô? É preciso sim cuidar do que é tradicional, mas sem deixar de olhar pra frente, afinal, o metrô de São Paulo é muito bom, limpo, organizado e coisa e tal, mas já estamos muito atrasados na implantação de uma malha que realmente atenda aos interesses da cidade. É preciso duplicar, triplicar, quadruplicar…enfim. Não pensem que o valor do IPTU pago em Higienópolis pode impedir que a cidade, como um todo, esteja a serviço do conjunto de sua população.

Francamente, é o tipo de discussão boba…não esperava essa postura e esses abaixo-assinados nos tempos atuais. Salvo razão muito justificada de preservação de patrimônio da cidade ou prejuízo a moradores e comércio local, o que deve prevalecer é o melhor atendimento ao maior número de pessoas que por ali circulam.

Tenho certeza que Higienópolis ainda ficará mais agradável se facilitar o seu trânsito interno.

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Acordar, ligar o computador, entrar no Twitter e dar de cara com uma notícia dessa não é brincadeira. William Cardoso, de O Estado de S.Paulo, traz hoje uma entrevista com Uebe Rezeck, novo Secretário Municipal de Participação e Parceria da cidade de São Paulo, e ex-prefeito de Barretos (http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,se-pagar-mensalinho-aqui-mensalao-ali-ninguem-denuncia-diz-rezeck,717037,0.htm.

Segundo a reportagem, o atual secretário acumula inúmeras condenações e ações na justiça e ele atribui tudo isto a desafetos ao longo de uma carreira de 40 anos. Mas, o que pode haver de revelador numa matéria assim?

As acusações apontadas na matéria dizem respeito a uma enormidade de casos muito típicos da realidade política brasileira: improbidade administrativa, nepotismo, vinculação do nome às obras públicas, uso de dinheiro público para pagar advogados pessoais, etc. O que o ex-prefeito quer somente é não ser incluído no rol daqueles que são os grandes corruptos, o dos “mensalinhos e mensalões”. Mas, esse tipo de desculpa não pode servir.

Existe “menor corrupção”? “Corrupção mais leve”? Complicado. Parece coisa de pequenos delitos “perdoáveis”, como os do “malandro” especializado em pequenos roubos, do “batedor de carteiras”, bem diferente, é claro, dos grandes criminosos. Há diferenças mesmo? Só de grau, mas o crime, ou outro nome que se dê, existe.

Entre um pequeno desvio para fins particulares e um baita mensalão, na política dá tudo no mesmo. O fato de ser um erro “menor” não pode ser legitimado. E, o pior é que tem sido assim. A política tem sido um campo especial para um acúmulo exagerado de ignorantes e malandros que se sustentam com base no patrimonialismo, no nepotismo e no poder e influência que exercem sobre o dinheiro público.

Está chegando a hora de partirmos para uma discussão que vá no caminho da diminuição do número de políticos (vereadores, deputados, etc., etc.) e dos privilégios colocados à sua disposição (verbas de gabinete, funcionários, etc.). E quem não estiver satisfeito que não dispute cargo eletivo.

Já que a impunidade reina, já que a ética não habita o campo da política e já que eles se acham os “salvadores” desse país, está na hora de diminuir as “oportunidades” de roubo, diminuir o campo de “ação”. Por que mais de 500 deputados federais? Por que tantos vereadores em cada cidade?

O pior é que a coisa está indo em direção contrária: Ainda querem criar mais estados…multiplicar o número de políticos. Salve-se quem puder, pois isso é o máximo do oportunismo. Me lembra muito a ARENA em fins de carreira, multiplicando a espécie para sobreviver um pouco mais. Arg!! É muito para um dia que mal começa.

O que foi divulgado sobre o ex-prefeito de Barretos, Sr. Rezeck pode ser bem um exemplo de como anda a política nacional. Infelizmente o que é dito sobre ele não é exceção, tem sido mais comum do que imaginamos. Aliás, só pra ficar neste caso, estudar a atual gênese do PSD seria bem útil para ver de perto este “politicus tipicus” da política nacional. Merece atenção por parte dos cientistas políticos e jornalistas.

Uma última observação. Não conheço o Sr. Rezeck e muito menos acompanho seus problemas com a imprensa ou a política, mas são casos assim, que quando chegam aos jornais, nos levam a pensar com muita seriedade e dureza.

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Dizem que Pedro Bial já foi um bom jornalista. Eu ainda lembro bem, mas as poucas memórias correm sério risco de desaparecer a cada vez que ouço algum trecho desses seus discursos em tempos de BBB.

Ontem, num determinado momento, e numa postura bastante defensiva, quase agredindo seus críticos, Bial fez outra grande descoberta: O BBB é um sucesso porque é a partir dele que se discutem temas, como “nunca antes neste país” (acho que já ouvi isso…rsrs).

E, para arrematar seu pensamento, disse que a atual Ágora é a TV, ou seja, se antes se ia à praça para o debate, hoje é em frente à TV que isso se dá. Não tenho vontade nenhuma de discutir isso…se fosse a posição de um jornalista seria diferente, mas vindo de um animador de auditório perco toda a vontade de escrever algo.

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