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Archive for the ‘Clínica da Política’ Category

Como sempre estou acompanhando questões questões que direta ou indiretamente estão vinculadas à “corrupção” no setor público sempre percebi que a questão da existência ou não de “provas materiais ou concretas” mereceu amplo destaque na defesa por parte de inúmeros acusados. Qualquer testemunho ou evidência parece perder total importância e, nesse sentido, tudo acaba por ficar restrito ao campo de uma “punição” simbólica, muito mais baseada na perda do cargo, por exemplo, ou na crítica feita pela mídia. Tem sido assim e isso explica boa parte do porquê não encontrar-se políticos na cadeia. Mas, é, de fato, uma questão embaraçosa e merece análise mais dedicada.

O fato é que parece soar sempre como uma situação onde “falta algo”, um buraco, um espaço de refúgio, uma área de escape. Não à toa a melhor resposta de um político que se sente ameaçado por acusações tem sido, desde sempre, e independente de colorações partidárias, apontar a existência de uma “conspiração” contra si. A tese conspiratória, em si, tem alta dose de fantasia, não há como negar. Por isso, por vezes, em meio a um escândalo político tudo parece soar como “embaraçoso”, confuso, sem pé nem cabeça.

É neste terreno pantanoso da fantasia que proliferam, portanto, teses as mais divergentes. O problema é começar a fazer disto uma regra, ou seja, onde não existe “prova concreta” vamos brincar de fantasiar. Neste aspecto, a História está cheia destes “buracos”, destas ausências de “provas concretas”. Lembrei de tudo isto quando li na Folha de S. Paulo de hoje que cada vez mais proliferam as teses de que Hitler, ao invés do suicídio, esteve mesmo na Patagônia. O que tem nisto tudo? Que desejos e necessidades movem estas tentativas de preencher o “buraco” com alguma tese. Nesse ponto, o desejo de ver Hitler “vivo” é o mesmo desejo de “não-morte” que o político levanta como bandeira ao dizer… “não existem provas concretas”. Nos aproveitamos desses “buracos” para potencializar nossas fantasias… quase sempre conspiratórias.

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Os 6 anos do mensalão, suas origens políticas e o modelo que o perpetua.

Dificil pensar e escrever sobre corrupção sem uma forte indignação. Mas, é bom pensar sobre o que existe de fragilidade política nas relações entre o Executivo e o Congresso para não se ficar acreditando que tudo é culpa da “mídia” ou de “políticos inescrupulosos”. Talvez nós também tenhamos alguma culpa no cartório. Clique no link acima para ler.

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Hoje, na Folha, o jornalista Valdo Cruz comenta que o modelo de privatização dos aeroportos aprovado ontem pela presidente Dilma é semelhante ao que a então ministra da Casa Civil descartou durante o governo Lula por ser contra transferir a administração dos aeroportos ao setor privadoÉ, também, um modelo que a candidata Dilma não defendeu durante a campanha presidencial. Motivo: destoava da estratégia de sua equipe de colar no PSDB a pecha de privatista, reprise do que havia ocorrido na eleição de 2006.

O que mais dizer? Praticamente nada, exceto por alguns comentários. O posicionamento do jornalista está correto e mais interessante ainda a conexão feita com as duas últimas eleições. De fato, em linhas gerais, a postura do PT nas eleições presidenciais de 2006 e 2010, na TV, foi idêntica. E a do PSDB também. Para chegar ao segundo turno a oposição teve que valer-se de escândalos políticos e de corrupção (dossiê em 2006 e caso Erenice em 2010) e o PT, no segundo turno, bateu na mesma tecla: carimbou o PSDB como um partido privatista. E deu certo.

Mas, isso só mostra o quanto, por vezes, a eleição se torna um ambiente que não passa de um simulacro da realidade. Um ambiente, por vezes, dominado por técnicas de persuasão que agridem a razão e ofendem qualquer tentativa de ser minimamente inteligente. É isso mesmo, por mais que o marketing eleitoral, em estreita aliança com a publicidade, tente se defender ele não abdica de fórmulas absolutamente irracionais para conseguir o voto do eleitor. E isso vale para qualquer partido, não só para o PT.

Mas, passada a eleição vem sempre a realidade e, com ela, outras obrigações e comprometimentos não mais somente com os simulacros. É aí que surge outra afronta à razão: o cinismo. Vivemos o império dos cínicos. Mas, será que sou capaz de duvidar que em 2014 o PT pode fazer a mesma coisa? Nem em brincadeira em duvido. Em política, tudo, absolutamente tudo é possível, já que não estamos no terreno da racionalidade. E essa desconfiança serve para todos.

Mas, com o PT é muito interessante, afinal, estamos diante de um caso de pra esquizofenia, de dissociação com a realidade. O PT teima e ainda vai teimar por algum tempo em dizer que faz uma coisa bem diferente do que realmente faz. Há uma dissociação muito forte entre sua discursividade e sua ação política. Isso se destaca no PT por ter sido um partido que se construia para, exatamente, não fazer isso. Mas fez, e está fazendo muito bem. É esta dissociação entre discurso e ação que torna as falas de lideranças do PT algo como que delirantes, sempre dispostas a acusar um “golpe” em qualquer crítica recebida.

Seria muito bom alguém dedicar-se a averiguar o que, de fato, significa esta palavra “golpe” para o PT, pis ela é a preferida. Sempre que alguém faz uma crítica à ação do partdo ou do governo lá vem a defesa: “isso é golpe”!!. Ora, por que tanta dificuldade em lidar com a crítica? Seria isso, fruto de um ressentimento? de uma sensação de que o país deve algo ao PT e agora ele pode conseguir tudo e do jeito que quiser.

Já confiei no PT e já tive esperança, agora não confio mais e só tenho receios. Isso vale para a política em geral.

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Um lugar entre o psíquico e o social – I

Este post é o início de uma discussão onde tentarei situar o “lugar” existente entre o psiquismo individual e o “social” (manifestado na política). Um lugar que precisa ser “reconhecido” e nomeado através de uma estreita aproximação entre a Psicanálise e a Política. Click no link, leia e comente.

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Muito oportuna a divulgação de artigo do ex-presidente Fernando Henrique. A muito a oposição vem ressentindo-se de algo que tenha o poder de fomentar um debate interno e, nada melhor que algo que venha de um ex-presidente que carrega nas costas muita responsabilidade sobre o Brasil atual. O artigo, então, deve ter exatamente esse papel: o de fomentador de debates acerca dos rumos da oposição.

Com a ascensão de Dilma e os indícios mostrados acerca de um estilo próprio que a diferenciam de Lula parece que ficou mais fácil perceber que aquele monopólio discursivo exercido já não está assegurado no Governo Dilma.

A oposição não está morta. Mesmo no auge da popularidade do ex-presidente Lula, a oposição conseguiu um segundo turno e não permitiu que Dilma impusesse uma vitória esmagadora. Então, nada mais natural que, sair desse sentimento de “encolhimento” e partir para repensar sua trajetória futura. Pelo menos é dessa forma que vejo a necessidade da oposição agir, ou seja, buscando pensar modelos de ação, e discursivos, para se colocar como alternativa viável ao poder presidencial já em 2014.

Isso, de um lado, mantém a polaridade partidária fundamental, entre o PT e o PSDB e cria maiores possibilidades de alternância no poder para o que a saúde da democracia agradece. Antes de tudo, então, é isso que destaco de mais importante no artigo de Fernando Henrique: a oportunidade de colocar na mesa o projeto da oposição para 2014. Não tenho como esconder que muito me satisfaz essa possibilidade de revigoramento da oposição, justamente para se criar antídotos contra aventuras populistas de longo prazo.

Embora o artigo já tenha vazado para alguns sites, não vou discutí-lo na totalidade, mas em um aspecto central neste momento. Em sua coluna no Estadão, José Roberto de Toledo levantou uma questão interessante: a estratégia sugerida por Fernando Henrique, de não disputar o “povão” (“carente e pouco informado”) com o PT reforçaria a “demofobia” do PSDB?

Tenho muitas dúvidas, afinal, alguém em sã consciência acredita mesmo que um dia o PSDB, mantidas as condições atuais, vai se tornar um partido com discurso popularesco, ou mesmo, com capacidade de atuar e liderar movimentos sociais e sindicais?

Então, apesar do tom do discurso de Fernando Henrique ser “fronteiriço” ele não exclui o “povão” apenas diz que aquilo que dará a substância política do partido será sua identificação com as classes médias, no que, no meu entender, está absolutamente correto, pois ão setores que continuam desguarnecidos política e partidariamente e que, têm caminhado junto com a oposição mesmo sem que esta lhes tenha dirigido uma atenção especial.

É isto que vejo no discurso de Fernando Henrique, uma necessidade de maior alinhamento com um setor social vital para a oposição e que pode ser significativo para seus projetos de poder no futuro.

Não adianta ficar dizendo que, com isso, vão colar no PSDB o carimbo de “demófobo” (já fazem isto a quanto anos?). O que o PSDB e as oposições precisam é personalizar-se ainda mais e não farão isso sem “quebrar” alguns ovos. Não avançar sobre as classes médias com receio de um discurso que possa “afastar” o “povão”, isso sim é ficar em cima do muro e isso não tem sucesso algum.

Então, não vejo sinais de demofobia. Mas, se isso for levantado, poderá até surtir o efeito contrário, de reforçar a classe média em torno da oposição. Continuo insistindo, afinal já a duas eleições que as disputas presidenciais apresentam forte disputa sócio-econômica. Certamente, o PSDB não possui um discurso popularesco, mas isso não o torna “elitista” ou de “direita”, isso sim seria revelador de muita carência e pouca informação.

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Não é uma tarefa fácil definir um estilo de governar para a presidente Dilma nestes primeiros cem dias de mandato. É um desafio muito mais colocado pela imprensa que pela análise política. O que falar, então, do estilo de governo de Dilma nestes momentos iniciais? O traço fundamental é de continuidade com o governo anterior? Sim. Mas, existem peculiaridades quanto à postura política e sua imagem.

Em termos de imagem, Dilma busca uma proximidade com o eleitor de forma muito mais sutil e natural. Seus sorrisos são na medida certa e seus posicionamentos são contidos, deixando transparecer uma honestidade de intenção. Isso contrasta com o estilo exuberante de Lula em ser o centro das atenções a partir de uma postura melodramática, evidenciando, por vezes, uma “hipersensibilidade” e um “histrionismo” que deixavam margem para o oportunismo e superficialismo. Dilma, ao contrário, está revelando saber combinar bem, em dose certa, o estilo “durona” com pitadas, uma aqui outra ali, de sensibilidade.

No que diz respeito à postura política a ênfase em passar uma imagem de “gerenciamento” dos problemas já vinha sendo trabalhada desde as eleições passadas e, sem dúvida, com algumas heranças deixadas pelo governo Lula (gastos públicos exacerbados), será imprescindível que ela coloque em marcha esse “gerenciamento”. Se Lula parecia eternamente em férias ou flutuando sobre os problemas, Dilma terá que mergulhar neles. Nesse sentido, seu governo, ao que tudo indica, e contrariando muitas expectativas, será muito menos carregado de tons ideológicos, como ela mesmo já tem mostrado em sinais de “aproximação” com a oposição e no endurecimento de certas negociações com sindicatos e sua base aliada.

Dilma não seria eleita sem a ajuda da popularidade de Lula, mas ela não carrega consigo aquela enorme popularidade do final do governo anterior. Nem poderia, pois não é recomendável se comparar índice de popularidade (avaliação de governo) com intenção de voto. Talvez nem mesmo Lula tivesse uma vitória tão folgada em 2010. Isso significa, então, que se Dilma está “surpreendendo” neste momento não necessariamente isso se transformará em apoio eleitoral ao PT em 2012 ou mesmo à sua reeleição em 2014. Nesse caminho existe um obstáculo a ser vencido: reconquistar a classe média. E, convenhamos, uma coisa é se estabelecer um contato direto com os setores beneficiários do programa Bolsa Família, outra coisa é abrir um canal direto com a classe média. São dois grupos sociais distintos com visões distintas da política, e aspirações diferentes com relação à política.

Neste momento, é oportuno lembrar que este setor médio da sociedade está em franco crescimento e carente de maior identificação política e partidária. Tradicionalmente, nas últimas eleições presidenciais, esteve ao lado da oposição, em torno do PSDB. Mas, o PT e Dilma deixarão isso sem a atenção devida? Não acredito, e isso impõe um ritmo de mobilização por parte da oposição também de muita atenção. Este setor médio, nos últimos tempos, tem se agitado exclusivamente em função de denúncias de corrupção. É preciso, então, pensar-se em modos alternativos de mobilizá-lo, com uma identificação mais profunda.

Muito do sucesso de Dilma, me parece, estará em dois aspectos: na capacidade de impor sua postura gerencial sobre o Estado e a Economia, e na capacidade de mostrar-se politicamente atraente para a classe média. E, isso me leva a uma constatação, ainda muito precoce, mas que não me furto a dizer: a próxima disputa presidencial vai se dar em torno de temas que implicam na reorganização do Estado e sustentação da economia. E, nesse sentido, não vejo como escapar à polarização que já vem se dando entre o PSDB e o PT, os principais partidos do país, os que possuem os melhores quadros. A eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2012, será um belo teste para as pretensões do PT, e para a capacidade de resistência do PSDB. Assim, como em 2014 a posição se inverte.

Preocupam, portanto, aos governistas, as notícias sobre a volta da inflação, a questão cambial, o freio na expansão do crédito, e a morosidade de não se saber bem o que fazer com tanto apoio disponível no Congresso Nacional, afinal, como o PT explicará que não tomou a iniciativa de realizar as tão necessárias reformas estruturais com tanto apoio disponível no Congresso Nacional.

Do lado da oposição, especialmente do PSDB, o desafio é imenso, gigantesco, pois com a chegada do PT ao poder o pragmatismo governamental foi levado ao extremo. Depois de herdar uma conjuntura econômica dos anos Fernando Henrique e de implementar um “monopólio discursivo” da política, Lula fez do pragmatismo a regra fundamental. O desafio estar em oferecer uma alternativa a isso aí. Talvez a questão esteja mesmo, neste momento, em mirar nos flancos deixados em aberto: os problemas na economia. Afinal, se com Lula a ordem era gastar, com Dilma o objetivo será controlar.

Nesse aspecto, o discurso do senador Aécio foi estratégico: sem uma coloração ideológica forte, mas tecnicamente incisivo. A questão é ver como o PT se comportará no governo em uma conjuntura que combina a ausência de um líder carismático, e uma menor capacidade de gasto.

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José Alencar

A morte de José Alencar é daqueles episódios, cada vez mais raros, que têm a capacidade de unir, agregar. Nem tanto pela sua vida política, mas pela sua postura, principalmente diante da morte. Um momento sempre dramático, mas que ele teve a grande chance de uma longa despedida e, mais que isso, de tranquilizar aqueles que ele deixava. Sim, porque a morte, muitas vezes é mais dolorida para os que ficam e permanecem distantes dela. Sobra o enigma, o desconhecido e isso, quase sempre, atormenta.

Mas Alencar deixou um belo recado: não temo a morte porque não a conheço. Uma bela frase e que exige que se pense muito a respeito dela. Afinal, por que temer aquilo que desconhecemos? Muito provocador e, ao mesmo tempo, muito simples. Pensar sobre a morte é algo que devemos fazer mais…até para chegar a momentos de lucidez como estes que ele nos proporcionou nestes últimos momentos em convivência.

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