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Archive for the ‘Lulismo’ Category

Nesta última quarta-feira a noite, sentado no sofá, mais ou menos por volta do horário do Jornal Nacional, me vejo surpreendido por uma propaganda institucional do PC do B. Não considerei supreendente o fato em si pois vez por outra há sempre uns instantes de propaganda partidária, mas foi o teor, o conteúdo desta propaganda partidária.

Num instante, me aparece o Netinho de Paula, membro do PC do B, numa propaganda institucional que, confesso, me deixou um pouco desconcertado, pelo menos por alguns instantes. Na aparição de Netinho, o partido o apresenta como alguém que veio de baixo e que conhece bem o povo e suas dificuldades e que nada melhor que uma pessoa assim para “cuidar” de nós.

Ora, ora, é justamente aí que reside meu desconcerto momentâneo. Quem imaginaria o PC do B, um partido classista, ter virado mais uma vítima desse neopopulismo que expande-se nos tempos atuais. Ora, ora, eu não quero que “cuidem” de mim. Não é esse o melhor discurso para a cidadania e para a emancipação do indivíduo. É um discurso paternalista, populista.

Bem, mas como eu disse, meu desconcerto foi momentâneo, logo lembrei que esse neopopulismo está mais do que fazendo escola, está fazendo seguidores, e todos com uma história triste para contar sobre a vida. lamentável para a democracia e para o que ainda resta de “esquerda”, pelo menos nas siglas.

Mas, nenhuma desilusão. Apenas constato um dado da realidade. Ou estou tão errado assim?

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Os 6 anos do mensalão, suas origens políticas e o modelo que o perpetua.

Dificil pensar e escrever sobre corrupção sem uma forte indignação. Mas, é bom pensar sobre o que existe de fragilidade política nas relações entre o Executivo e o Congresso para não se ficar acreditando que tudo é culpa da “mídia” ou de “políticos inescrupulosos”. Talvez nós também tenhamos alguma culpa no cartório. Clique no link acima para ler.

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Condições políticas que geraram o mensalão.

Que condições propiciaram o surgimento do mensalão? A seguir, ofereço uma hipótese explicativa para o surgimento desta prática nociva de relacionamento entre o Governo e o Congresso Nacional.

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Dilma foi escolhida a dedo por Lula para disputar a eleição. Dilma deve sua vitória à capacidade que Lula teve de, por cima de todas as regras, fazer a campanha eleitoral de 2010. Mas, ainda assim, muitos acreditavam, eu inclusive, que neste início de governo Dilma parecia estar mostrando certa autonomia, desprendimento, luz própria. Tentou até criar um estilo diferente, mais afável, cordial. Para mostrar-se mais sensível e humana foi até no programa de Ana Maria Braga. Enquanto isso, Lula dedicava-se ao seu primeiro milhão de reais em poucas semanas dando umas 4 palestras para grandes empresas.

Quem diria que, em tão pouco tempo, todas essas especulações de uma “vida própria” poderiam cair por terra. Ao sinal da primeira crise mais séria, no caso, envolvendo Palocci, Dilma “pede arrego” e Lula volta à tona. Na verdade, eu mesmo já havia comentado a um tempo atrás que não havia mesmo um “pós-Lula” e que nada mais certo que ele volta a disputar a presidência já em 2014. Mas, foi tudo muito mais rápido que imaginei.

Dilma está revelando muito rapidamente sua face mais frágil. Não tem vida própria, mas não é só ela. O PT também não consegue mais andar sem Lula. Se atrapalha, não sabe negociar, não tem faro político. Enfim, Dilma e PT estão na absoluta dependência de seu “guru”.

Lula volta com suas velhas e surradas metáforas, mas elas ainda funcionam e vão funcionar sempre que a imprensa estiver disposta a comprá-las e não denunciá-las. Exemplo: “todos sabiam que Palocci era o Pelé da economia”. Ou seja, tudo muito simples, como o bom e velho Lula sempre fez no governo. Para a imprensa acreditar? Não. Mas, sempre jogando para uma enorme platéia que não está nem um pouco afim de debater, principalmente se for assunto da política.

O fato é que Lula está cada vez mais de volta. E está ocupando, informalmente, o seu lugar de presidente. Comanda reuniões, tenta negociar com setores estratégicos, faz recomendações, etc. A principal? Tirem o “kit-gay” para que não ocorra riscos de investigação contra Palocci. Foi mais uma concessão ao PMDB. Mas, foi mesmo só mais uma concessão? Se assim o fosse seria normal numa democracia. O problema é que essas “concessões” sempre ocorrem para evitar alguma “investigação”.

Bem, Dilma parece mesmo só estar esquentando o banco. Ela vai ter que se revirar para provar o contrário. E, agora que Lula colocou a cabeça de fora, quem vai lembrá-lo que não é mais presidente?

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Demorou, mas Lula apareceu em cena. Desde as primeiras denúncias contra Palocci o ex-presidente andava sumido. Uma estratégia que sempre utilizou. Some de cena, acumula informações e volta à tona em grande estilo. Ontem, em reunião com senadores do PT pediu união em torno de Palocci. Ok, era isso mesmo que tinha que fazer. Em seguida dá uma declaração e tentando justificar os feitos maravilhosos de Palocci na multiplicação de dinheiro, diz: “todos sabem que Palocci era o pelé da Economia”.

Caramba, não sei porque ainda me surpreendo com as declarações de Lula.

A quem Lula está se dirigindo? O que ele está querendo dizer? Certamente, ele continua voltado ao seu grande público, que vive somente de frases de efeito. E o que está querendo dizer? Que Palocci, por ser um cara inteligente e conhecedor da economia pode muito bem ter ganho todo este dinheiro vendendo seu conhecimento?… Posso até acreditar em Lula, mas pra isso tenho que me despojar de todo conhecimento e capacidade intelectual que acumulei… ou seja, preciso ser muito ignorante.

Lula manipula bem as palavras, joga com frases de efeito, é um perfeito animador de auditória. Conta piadas, fala de futebol, de bebidas, traz tudo para o senso comum. Deve ser uma excelente companhia para uma cervejinha na sexta-feira, ou para um churrasco no domingão. Mas, como líder de um país, convenhamos, é irritante, pois brinca com a inteligência… dos outros.

Tudo bem. Palocci é do PT, fez tráfico de influência, aproveitou o momento eleitoral e arrecadou pra si também, levou vantagens, comprou tudo lá por sua região de Ribeirão Preto, mas, tudo bem, ele é do PT e Lula pode muito bem fazer sua defesa.

Mas, daí dizer que ele ganhou tanto dinheiro porque era o Pelé da economia é brincar. Não sei como os jornalistas ainda toleram isso. Esse rebaixamento da razão, esse rebaixamento do intelecto.

Depois dizem que é preconceito, mas não é. Lula não é um cara simples e comum, ele é muito esperto, sabe muito bem o que faz e se o faz dessa maneira que perece simples e comum é porque manipula bem as palavras e as pessoas. É contra isso que me coloco frontalmente.

Lula, com suas metáforas, faz um grande mal a este país. Não se discute, não se faz críticas, não se usa mais a razão, se é que um dia já se usou. Lula força o emburrecimento com sua total e ampla justificativa da corrupção a todo instante. E pior, para isso, para justificar a corrupção se utiliza de seu passado “triste e trágico” e de sua história de “lutas”. Mas, para que isso serviu, de fato?Para justificar erros grosseiros na condução dos negócios públicos hoje em dia?

Gostaria que Lula falasse em alto nível, que deixasse sua inteligência vir à tona e parasse com essas metáforas intensamente ideológicas e de baixo nível. Estou pedindo muito?… cada dia que passa, acho que estou pedindo demais sim.

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As denúncias contra Palocci parecem apenas confirmar que existe, de fato, um monopólio da política em marcha desde os tempos Lula. Esse monopólio sustenta-se num projeto de dominação sem oposição, ou com uma existência desqualificada.

Chegando ao poder como a expressão da esperança, logo se percebeu que os passos dados por Lula eram expressão, de fato, de um ressentimento. Apoiou-se numa história pessoal trágica (como se de tragédias não fosse feita a vida de cada brasileiro), alardeou que ninguém era mais ético que ele (esquecendo-se que esse é o país do “jeitinho”) e colocou-se como o “protetor” de milhões de brasileiros, revivendo demagogias e populismos.

O PT, cuja história esteve sempre marcada por discussões internas fortes, logo após o escândalo do mensalão, sucumbiu ao poder irresistível de Lula e passou a orbitar em torno dele sem qualquer questionamento. Hoje, o que se vê é um PT que não ousa discutir, pois o projeto de poder e sua continuidade se colocaram sobre qualquer princípio partidário.

Desde o mensalão que houve uma desqualificação absoluta de toda crítica externa, uma desmoralização de toda tentativa da imprensa atuar. O PT quer governar sem oposição, tratando a tudo e a todos como “conspiradores”, “elitistas” (como se já não fosse o governo com maior transferência de renda para os setores financeiros), “preconceituosos” – traços claros de uma política de ressentimento, bem típica daqueles que adotam a “covardia moral” como estratégia de sobrevivência, sempre cobrando ao outro por seu infortúnio, gerando uma dívida que jamais será paga.

Isso não é cidadania.

Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, resumiu o escândalo que atinge o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como “palavras ao vento“. Isso me fez lembrar que em 2005, no auge das denúncias contra o mensalão, Zé Eduardo Cardozo foi o primeiro a sustentar a tese do “caixa dois”, desviando a atenção do tema “corrupção”. No dia seguinte, Delúbio e Valério foram à imprensa para dizer que o que tinham feito era caixa dois e mais um dia depois Lula deu aquela entrevista em Paris confirmando que todo mundo faz a mesma coisa.

Por seu lado, José Dirceu diz tratar-se de uma “crise forjada“, no mesmo estilo que, quando também no mensalão, definiu as críticas como “golpismo”. E aí, logo em seguida, vem outros membros partidários e dizem em coro: “é tudo um jogo da oposição“, mas, que oposição? A mesma que praticamente recebeu Dilma de braços abertos?

Houve um dia em que tive profundas simpatias por Lula e pelo PT, mas eles abusaram e hoje me tratam como um imbecil, um idiota, como se essas justificativas fossem suficientes. Só estão se comportando de uma maneira a acabar definitivamente com o “jogo político”.

Onde está Lula? Por que não se pronuncia? Daqui a algum tempo, quando a crise passar ele surgirá novamente. Não sabe o que dizer. Talvez só saiba dar palestras que custam centenas de milhares de dólares.

Quais foram os teus clientes Palocci?

Quantos funcionários tem a tua empresa?

Em 2005, a Folha de S. Paulo denunciava o comportamento de Lula como delirante, fantasioso, dissociado. O mesmo ocorre agora (talvez menos com Dilma, que optou pelo silêncio) com os petistas. eles aprenderam bem o que o chefe ensinou: danem-se os fatos… vale a palavra, repetida mil vezes.

Este monopólio da política é “primo” do chavismo. Mas, ainda é um primo distante. Desde que a oposição, cada vez mais, ocupe os espaços de discussão com um discurso forte, sem temer derrotas, sem temer o enfrentamento. É preciso restaurar o “jogo político”, do contrário só restará mesmo este “monopólio”, sustentado num baita ressentimento que nada tem de cidadão, e num desejo de poder irrefreável.

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Neste 21 de maio a coluna de Jose de Souza Martins (prof. emérito da USP) no Aliás discute a questão da língua brasileira que ocupou largos espaços de discussão nesta semana. Martins nos lembra que o português formal resultou de uma imposição colonial sobre o modo de falar dos brasileiros, o nheengatu, ainda no início do século XVIII. Mais tarde, no contexto das imigrações, foram proibidas línguas e dialetos originais. Tudo em prol da disseminação de uma língua nacional. Tudo isso sempre no contexto de autoritarismos políticos. Isso é inegável. Inegável também o fato de inúmeros sotaques terem sobrevivido na fala, mesmo que escrevamos o português da norma culta.

O que Martins nos chama a atenção, entretanto, é que, se de fato houve esta imposição histórica, e que haja legitimidade no reconhecimento da fala popular, a questão se baseia numa premissa falsa: “A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros”.

Ora, nem uma coisa nem outra. Nem a classe dominante usa a língua culta nem os populares só falam a sua variante. Não há porque tratar a questão de forma maniqueísta então. Reduzir a uma questão de dominação de classe pode não explicar absolutamente nada.

A impressão que tenho é que está ocorrendo uma ideologização dessa questão, comportamento muito comum nos tempos do governo Lula, onde as variantes populares alcançaram um nível de legitimação sem paralelo e sempre calcadas na própria fala presidencial.

Ideologizar esta questão só servirá mesmo para constinuar-se a insistir na grande tese do governo Lula de que “existe uma elite preconceituosa no país”. Se existe? Claro que existe, mas que isso seja discutido e combatido não só com palavras de ordem e maniqueísmos e sim com largos programas educacionais neste país.

Aliás, quando foi a última vez que se discussão educação e cultura neste país? Vivemos sob o império da técnica e do consumo supérfluo, e isto só serve para alimentar um tipo de emancipação que é de ordem exclusivamente material. Qual o espaço para o crescimento educacional?

Será que ideologizar a questão da linguagem popular vai servir para justificar a ausência de debates, e ações concretas, em prol da educação? Parece, infelizmente, que sim.

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Morin e a regeneração do pensamento de esquerda.

Sobre entrevista de Morin na Revista Cult.

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O Primeiro de Maio está chegando e com ele uma velha discussão: o financiamento público de eventos sindicais. Ora, já a muito questionadas pela cobrança compulsória de impostos aos trabalhadores, agora o que se vê é o patrocínio com dinheiro público de ações festivas patrocinadas pelos sindicatos.

Algo está desvirtuado. Nascidas para dar voz e resistir em nome do trabalhador as centrais entraram em uma fase de acomodação ao “governismo irresistível“. Uso este termo para mostrar o quanto se abandonou princípios e comportamentos em prol de um “lugar ao sol”. Notícia hoje da Folha de S. Paulo revela que Petrobrás, BB, CEF e Eletrobrás vão financiar boa parte destes eventos.

Mas, a questão não pode ser avaliada somente quanto a esse aspecto. Não se trata de uma simples ajuda federal a eventos populares, isso é só parte do que realmente está acontecendo. Se olharmos com atenção veremos que, no aparelhamento estatal promovido por Lula, a presença de uma elite sindical é fabulosa.

O que é isso? De outro lado, vemos diversos movimentos sociais sendo bancados pelo Estado. O que é isso. Isso é o que já se chamou de “monopólio da política” levado a cabo pelo governo Lula, num amplo movimento de apropriação dos movimentos sociais e sindicais que, diante da expectativa de um “lugar ao sol” cederam sua voz ao Estado. Talvez seja mesmo a hora de se repensar a questão das cobranças de impostos sindicais. Até mesmo porque tudo se resumiu a sorteios e distribuição de bens.

É mais um dos “abandonos ideológicos” em favor de algo maior: o “governismo” que assume, desde os anos Lula uma faceta “irresistível”. Quem ainda quer definir-se como “oposição”? Ou, quem ainda consegue definir-se como “oposição”? Quem ainda está disposto a resistir e lutar por direitos? Quem está disposto a empunhar alguma bandeira? Afinal, cabem todos no Estado. Há lugar para todos. Pelo menos é isso que a voz governista diz.

Realmente ainda se está vivendo uma festa… a questão é o que fazer se a ressaca chegar.

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Em entrevista (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0404201111.htm) o filósofo Marcos Nobre, da Universidade de Campinas, fala de uma “peemedebização” estaria em andamento no país, ou seja, algo que combina “adesismo” e “lógica do veto”, onde fazer política significa mais vetar que formular propostas.

O filósofo citou como exemplos desse processo a criação do PSD e a decisão do STF sobre a Lei da Ficha Limpa, tudo fruto de uma “cultura política peemedebizada”, uma cultura política que evita o confronto aberto e opera com uma lógica de veto… Não há um discurso positivo, não há uma tentativa de formar maioria e partir para o confronto. O que há é o veto e a tentativa de contornar os vetos. Há um bloqueio das discussões públicas que dissocia a política da sociedade. Trata-se de um modelo que se reforçou em muito após o mensalão.

Qual a relação com o mensalão? Com a crise, PT e PSDB perderam consistência após Lula ter se afastado do modelo polarizado em prol de um centro difuso. A diminuição do confronto permitiu que a lógica do peemedebismo retomasse um papel central. O fim da polarização é a vitória do peemedebismoO problema de Dilma é que ela recebeu um passivo político quase inadministrável… Ela recebeu uma quantidade enorme de acordos feitos por Lula, e todos muito generosos. São acordos com centrais sindicais, partidos, empresários, mercado etc. Mas Dilma não tem como manter todos. Há um limiteSe todo mundo está dentro e se todo mundo pode vetar propostas, o resultado é a paralisia.

E qual a solução para Dilma? Ela terá que mostrar que não há espaço para todo mundo e negociar acordos a um preço mais baixo. Dilma tem um “excesso de adesão” e isso é um fator limitador para os interesses de Kassab e do PSD, maior  expressão do peemedebismo. É a banalização da política. É um partido com discurso anódino, sem consistência, que gosta de se afirmar sem posição ideológica definida.

Uma boa questão, nesse momento, seria: Quais as condições e possibilidades de uma afirmação da oposição no cenário político? O primeiro passo é a constituição de um discurso. E isso exigirá uma leitura muito “fina” da realidade, pouco apegada aos fatos superficiais e episódicos e com mais capacidade de enxergar aquelas limitações que estão ocorrendo por baixo e que, mais à frente, serão a marca da gestão de Dilma. Se a oposição imagina que poderá ir se firmando em torno dos fatos criados pelo governo vai dar com os burros n’água. Uma leitura fina da realidade e um discurso consistente podem ser fundamentais para o médio prazo. 2012 está bem perto para já ir testando algo, mas para isso, é preciso começar. Não podemos esquecer que esse processo de peemedebização é fruto de um movimento feito por Lula no sentido do centro político, mas também é reflexo de uma descaracterização maciça do conteúdo da oposição no país.

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