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Archive for the ‘Mídia Digital’ Category

As redes sociais já a algum tempo viraram tema de debates entre sociólogos, politicólogos e profissionais de marketing, principalmente pela sua possibilidade de intensificar a conexão entre as pessoas e, ser um ambiente muito mais democrático para a livre troca de ideias, e seus conflitos.

Mas, elas também possuem um enorme potencial para vários tipos de alienação. Uma questão que nos ajuda a entender bem o significado de uma rede como a do Facebook é dada pelo próprio filme “A Rede Social” e também foi exemplificada na coluna de Márcia Tiburi na Revista Cult (n. 154, fevereiro-2011).

Márcia faz uma associação do um trecho de uma letra de Roberto Carlos (“eu quero ter um milhão de amigos”) com o significado das relações que estão sendo estabelecidas em redes como o Facebook.

Para Márcia, a música de Roberto Carlos fala de uma “promessa”, que é o desejo de ter amigos, enquanto a rede social parte para a realização fetichista desse desejo. Como ela nos diz,

o que é o fetichismo senão a realização falsa de uma fantasia por meio de sua encenação sem que se esteja a fazer ficção?

É por isso que as redes sociais estariam definindo uma nova subjetividade que Márcia chama de “complexo de Roberto Carlos“, ou seja, o

desejo de ter um milhão de amigos no qual não está contido o desejo de ter um amigo verdadeiro, muito menos único.

É claro que esse desejo de conexão (mais e mais amigos) é próprio do ser humano, e o que empresas como o facebook fazem é falar em nome da “amizade”, uma amizade como “gozo”, ou seja, como ilusão de um desejo realizado.

Portanto, há um paradoxo na rede social: a maior quantidade de amigos é equivalente a amizade nenhuma.

Mas quem é capaz de sustentar uma amizade hoje quando se pode ser amigo de todos e qualquer um?

Márcia nos diz, portanto, que a palavra “amigo” não garante a realidade da palavra, e o próprio filme “A Rede Social” demonstra isso claramente. Afinal, por que o Facebook foi criado? Para que um sujeito, rejeitado por um clube de amigos, tivesse o seu próprio clube, ainda que ao custo de perder sua única amizade verdadeira.

Trata-se de uma inversão onde não há mais chances para a ética; assim, um amigo não vale nada diante de milhões de amigos… ou, de outra forma,

amigos transformado em números não são amigos em lugar nenhum.

É nesse contexto que o Facebook vem somente para dar um pouco de concretude fetichista a nossas fantasias e desejos não realizados. É preciso ter cuidado, entretanto, para não cedermos demasiadamente à tentação e deixarmos escapar as poucas esperanças de uma verdadeira amizade… ou de uma sociabilidade mais significativa.

Afinal, quando desligamos o computador, o que sobram são as duras imposições de uma realidade que nos exige mais do que simplesmente “aceitar” ou “recusar” novos amigos.

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