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Archive for the ‘Opinião Pública’ Category

As denúncias contra Palocci parecem apenas confirmar que existe, de fato, um monopólio da política em marcha desde os tempos Lula. Esse monopólio sustenta-se num projeto de dominação sem oposição, ou com uma existência desqualificada.

Chegando ao poder como a expressão da esperança, logo se percebeu que os passos dados por Lula eram expressão, de fato, de um ressentimento. Apoiou-se numa história pessoal trágica (como se de tragédias não fosse feita a vida de cada brasileiro), alardeou que ninguém era mais ético que ele (esquecendo-se que esse é o país do “jeitinho”) e colocou-se como o “protetor” de milhões de brasileiros, revivendo demagogias e populismos.

O PT, cuja história esteve sempre marcada por discussões internas fortes, logo após o escândalo do mensalão, sucumbiu ao poder irresistível de Lula e passou a orbitar em torno dele sem qualquer questionamento. Hoje, o que se vê é um PT que não ousa discutir, pois o projeto de poder e sua continuidade se colocaram sobre qualquer princípio partidário.

Desde o mensalão que houve uma desqualificação absoluta de toda crítica externa, uma desmoralização de toda tentativa da imprensa atuar. O PT quer governar sem oposição, tratando a tudo e a todos como “conspiradores”, “elitistas” (como se já não fosse o governo com maior transferência de renda para os setores financeiros), “preconceituosos” – traços claros de uma política de ressentimento, bem típica daqueles que adotam a “covardia moral” como estratégia de sobrevivência, sempre cobrando ao outro por seu infortúnio, gerando uma dívida que jamais será paga.

Isso não é cidadania.

Ontem, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, resumiu o escândalo que atinge o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como “palavras ao vento“. Isso me fez lembrar que em 2005, no auge das denúncias contra o mensalão, Zé Eduardo Cardozo foi o primeiro a sustentar a tese do “caixa dois”, desviando a atenção do tema “corrupção”. No dia seguinte, Delúbio e Valério foram à imprensa para dizer que o que tinham feito era caixa dois e mais um dia depois Lula deu aquela entrevista em Paris confirmando que todo mundo faz a mesma coisa.

Por seu lado, José Dirceu diz tratar-se de uma “crise forjada“, no mesmo estilo que, quando também no mensalão, definiu as críticas como “golpismo”. E aí, logo em seguida, vem outros membros partidários e dizem em coro: “é tudo um jogo da oposição“, mas, que oposição? A mesma que praticamente recebeu Dilma de braços abertos?

Houve um dia em que tive profundas simpatias por Lula e pelo PT, mas eles abusaram e hoje me tratam como um imbecil, um idiota, como se essas justificativas fossem suficientes. Só estão se comportando de uma maneira a acabar definitivamente com o “jogo político”.

Onde está Lula? Por que não se pronuncia? Daqui a algum tempo, quando a crise passar ele surgirá novamente. Não sabe o que dizer. Talvez só saiba dar palestras que custam centenas de milhares de dólares.

Quais foram os teus clientes Palocci?

Quantos funcionários tem a tua empresa?

Em 2005, a Folha de S. Paulo denunciava o comportamento de Lula como delirante, fantasioso, dissociado. O mesmo ocorre agora (talvez menos com Dilma, que optou pelo silêncio) com os petistas. eles aprenderam bem o que o chefe ensinou: danem-se os fatos… vale a palavra, repetida mil vezes.

Este monopólio da política é “primo” do chavismo. Mas, ainda é um primo distante. Desde que a oposição, cada vez mais, ocupe os espaços de discussão com um discurso forte, sem temer derrotas, sem temer o enfrentamento. É preciso restaurar o “jogo político”, do contrário só restará mesmo este “monopólio”, sustentado num baita ressentimento que nada tem de cidadão, e num desejo de poder irrefreável.

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Se tem algo revelador nesta nova crise política envolvendo o Ministro Palocci é que as fronteiras entre os interesses públicos e privados, no mundo da política, continuam carentes de melhor definição.

Embora, idealmente, compartilhe da necessidade de uma maior presença do comportamento ético na vida política, tento evitar análises moralistas que me impeçam de ver a realidade da política. Mas, mesmo com este “realismo” não acredito que seja justificável teses que naturalizam a corrupção como algo inevitável na política.

Pode até ser que nunca acabe mas, daí a naturalizar a ideia de que a corrupção é inevitável vai um longo caminho e, pior, pode servir para banalizar o ato de corrupção e, por fim, reduzir sua importância.

Como sair dessa enrascada? Adotando a postura de que, mais que um apelo ético devemos lutar por uma legislação mais dura e eficiente. Isto não significa o abandono do apelo ético, mas significa que não podemos esperar que ocorra uma conscientização por parte do homem político de que ele está a serviço de interesses públicos e não particulares. Essa conscientização poderá até ocorrer, mas num processo dialético com cobranças por parte da opinião pública, e uma legislação mais dura e eficiente.

Mas, é aí que reside uma das principais deficiências brasileiras, ou seja, a eficiência legislativa. Vejamos os exemplos recentes, partindo de comentários de daniel Bramatti e José Roberto de Toledo hoje, no O Estado de S. Paulo. Segundo os jornalistas, o caso Palocci destaca o “vácuo legal” existente em torno da questão dos interesses públicos e privados.

As questões, porém, não avançam. Mas, haveria interesse do Congresso em fazer avançar? Talvez, seja uma questão que precise de um forte impulso vindo de “fora”, como opinião pública, organizações da sociedade civil, imprensa e judiciário.

O governo do PT com toda esta ampla maioria que possui no Congresso nacional bem que poderia fazer valer aquilo que defendeu durante muito tempo em que estave fora do poder: Ética, disposição para investigar e punição à corrupção.

Mas, desde que está no poder o PT só tem acumulado casos em que não se diferencia em nada de velhas práticas patrimonialistas e de corrupção. Tudo virou uma questão de “conspiração”. Desse jeito não avançaremos nem um milímetro. O projeto de poder, de qualquer partido, qualquer um mesmo, parece que não se coaduna com um corportamento público e republicano adequado. Nesse aspecto, ainda estamos muito longe de superar o elitismo que tanto marcou a história da sociedade brasileira.

É impressionante como o “poder”, com todos os seus mimos e privilégios, faz desaparecer qualquer disposição para a luta contra a corrupção. Por isso, sempre penso: Por que tantos benefícios aos políticos? São servidores públicos… só isso! Mais que isso é sustentar os mesmos privilégios da antiga colônia brasileira, embora sob roupagens, por vezes, paternalistas e populistas. Atitudes que pouco têm a ver com a democracia e sim com o paternalismo que infantiliza os indivíduos.

O caso Palocci, então, é só mais um exemplo de como a corrupção pode se aperfeiçoar rapidamente, pois, se no caso do mensalão o que predominou foi um esquema partidário para acumular recursos de caixa dois e montar uma base parlamentar, hoje, parece que a prática da “consultoria” (“tráfico de influência”?)é uma boa forma de arrecadação de recursos. Não se tem certeza de nada, mas quem poderia eliminar com as dúvidas (Palocci) não fala nada. Só me resta continuar acreditando nas acusações.

Não podemos esquecer que, na política não vale muito aquela tese que é da cidadania (“inocente até prova em contrário”), até porque há, para o político, uma absoluta necessidade de ser transparente e responder sempre que for solicitado. Nesse caso, se não dever nada, o ônus fica sempre com os acusadores que se desmoralizam, mas… se o “acusado” não se defende e não é transparente… vou continuar achando que não é só fumaça que existe.

Com sua ampla base de apoio no Congresso o PT bem que poderia fazer avançar questões importantes para a republicanização da política. Mas, as esperanças já foram enterradas. E é muito lamentável ficar lendo e ouvindo coisas do tipo: “mas todos fazem isto…”. Este foi um dos principais legados de Lula: Toda e qualquer crítica virou sinônimo de corrupção e o PT acabou reclamando para si os mesmo privilégios das elites mais sórdidas da vida política que, de alguma forma, sempre estiveram por aí, contaminando e ditando as regras do jogo político.

Não adianta, também, ficar partidarizando as discussões. A corrupção não é própria de partido A ou B.É uma prática generalizada que precisa ser combatida no interior de cada partido.

Realmente, não dá para ficar apelando-se a um comportamento ético. É preciso uma resposta mais dura e eficiente por parte da opinião pública e da lei.

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Dados de pesquisa CNI/Ibope e divulgados agora a pouco pelo UOL, apontam a presidente Dilma em franco crescimento de popularidade (http://noticias.uol.com.br/politica/2011/04/01/dilma-supera-lula-e-fhc-em-aprovacao-de-inicio-de-governo-diz-cniibope.jhtm), superando ex-presidentes numa comparação com o mesmo período. Ela teria 56% de ótimo e bom (em 1999 Fernando Henrique tinha 41% e Lula, em 2003 tinha 51%).

É claro que, em tais dados, está presente todo o clima positivo do país, que pode ser visto como uma herança do governo anterior, mas a cada momento que passa Dilma vai tendo maior responsabilidade sobre sua própria popularidade, e o governo Lula vai se tornando um “ex-governo”.

Para o gerente executivo da CNI, Renato da Fonseca, o índice de aprovação de Dilma se deveria ao seu “bom relacionamento” com Lula. Não sei exatamente o quanto esta afirmação reflete a realidade, pois embora não tenha surgido nenhuma rusga entre os dois, Dilma se posicionou de forma muito específica em várias situações. O que me parece mesmo é que a presidente está ganhando personalidade, e não por estar colada em Lula, justamente o contrário: está ganhando personalidade…própria.

Na falta de mais dados, evidentemente, sobra especulação. Mas, acho que é muito válido se trabalhar com a hipótese de que a presidente ainda vai crescer bem mais, mas principalmente por sua imagem (que melhorou muito após eleita) e por seus posicionamentos (mais afeitos à democracia, ao controle de gastos públicos e aos direitos humanos). É esperar para ver como ela se sairá diante do possível crescimento da inflação. É fundamental acompanhar de perto este tema.

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Na mais atual pesquisa Datafolha constata-se que é alto o nível de popularidade de Dilma, que alcança 47% de ótimo e bom. Um índice superior a de todos os seus antecessores, neste mesmo período de governo. Mas, a pesquisa traz alguns dados bem interessantes:

1) Comparada à Lula, Dilma, na opinião do entrevistados favorece mais aos “políticos” (23%) enquanto Lula favorecia mais aos “trabalhadores” (31%). Fica evidenciada a muito mais forte identificação de Lula com os trabalhadores;

2) No que diz respeito aos maiores problemas do país, hoje se aponta a “saúde” (31%) e a “violência” (16%), enquanto com Lula eram o “desemprego” (31%) e a fome/miséria (16%). Aqui também mais evidenciada a identificação de Lula com estas questões, além de existir um componente conjuntural (naquele momento aquelas questões eram muito mais fortes que hoje);

3) Dilma continua, como Lula, sendo vem avaliada no “Nordeste” (50%), mas nas outras regiões está muito próxima desse índice, ao contrário de Lula que sempre se distanciou mais no Nordeste;

Me parece que a percepção do eleitor aponta na direção da seguinte avaliação: Lula elegeu Dilma, ponto. Dilma é mais técnica e gerente, ponto. As prioridades com ela serão outras, ponto. E é essa sua capacidade de gerenciamento com menos paixão e identificação com um ou outro setor específico da população que mantém uma alta expectativa com relação a seu governo, indistintamente, no Norte ou no Sul. Essa situação a aproxima de uma maior simetria eleitoral, bem diferente de seu antecessor que, como Collor, dividiu o Brasil em dois, sendo que Lula experimentou os dois lados. Num momento foi amados pelos setores de classe média e mais organizados, noutro foi amado pelo setores sociais mais pobres e desorganizados. Dilma parece superar este “simplismo eleitoral” neste momentos iniciais de mandato.

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