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Posts Tagged ‘Aécio’

Aécio Neves fez seu primeiro discurso hoje no Senado, mas para alguns não correspondeu às expectativas que causou na véspera. Se isso é um fato, é porque deve existir alguma forte ansiedade por uma oposição mais presente, ou, ao menos, por uma nova liderança de oposição. De qualquer forma, é uma ansiedade e precisa ser melhor controlada.

Após relembrar suas conquistas na Câmara dos Deputados já foi logo dando o tom de seu posicionamento. Não confundo agressividade com firmeza. Não confundo adversário com inimigo. Nada de novo, afinal Aécio, mesmo nos momentos mais críticos do governo Lula sempre manteve certa distância de maiores críticas. Aécio sempre se mostrou muito tolerante e é isso que continua pregando. Afeito aos debates e convergências, segue muito bem a escola mineira de seu avô Tancredo. Ele não vai abandonar esta escola. E é melhor que não o faça, pois seria uma descaracterização boba.

Depois de demarcar seu território e forma de atuação fez a “recuperação” histórica do Brasil recente. Lembrou que “nossos adversários” não estavam com Tancredo e a grande aliança democrática, nem com Sarney, nem com Itamar, mesmo com o Brasil sob risco de governabilidade. Em seguida, também lembrou que recusaram o Plano Real e foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Em seguida, rememorou o governo Fernando Henrique e a estruturação dos primeiros programas federais de transferência de renda, todos criticados como políticas assistencialistas e de perpetuação da independência. Em seguida, arrematou: Faço essas rápidas considerações apenas para confirmar o que continuamos a ver hoje: sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT . Nesse momento, Aécio nomeia seu adversário, o que é fundamental num discurso que pretende estabelecer mínimas fronteiras. Sim, porque, por mais que Aécio esteja movido pela sua escola mineira, ele precisa demarcar uma posição que é a de, gradativamente, líder de oposição. E isso só com o estabelecimento de algumas posições discursivas. Se Aécio sempre caracterizou-se por uma contemporização com relação ao PT, parece mais disposto a começar a apontar as divergências, ainda que tímidas. É um avanço, sem dúvida.

Quando enalteceu o governo Lula foi para dizer que ele soube manter a política econômica do governo anterior e, sobre Dilma disse que o Brasil precisa de uma “choque de realidade”, principalmente voltado para a atenção ao ajuste fiscal, ao risco de desindustrialização de setores da economia, reforço da infra-estrutura e o controle da inflação. Para que isso seja buscado, disse que a postura da oposição deve seguir três orientações: Fiscalizar com rigor; resgatar o princípio da Federação no Brasil; e aproximar-se dos diversos setores da vida nacional.

Já finalizando falou algo que pode revela bem a característica de sua oposição: anunciar iniciativas concretas ao governo em torno das grandes reformas, pois não dá para somente esperar do governo. Afinal, a oposição, segundo Aécio deve organizar seu exercício em torno de três valores: coragem, responsabilidade e éticaCoragem. Para resistir à tentação da demagogia e do oportunismo. Responsabilidade. Não podemos cobrar do governo responsabilidade se não a tivermos para oferecer ao país. E Ética. Não só a ética que move as denúncias. Não só a ética que cobra a transparência e a verdade. Mas uma ética mais ampla, íntima, capaz de orientar nossas posições, ações e compromissos, todos os dias.

É um discurso que não tem e não terá, jamais, apelo junto a setores muito pobres a não ser que seja “traduzido” em alguns poucos e oportunos sentidos. Mas, é um discurso de classe média, justamente o setor social que mais tende a crescer e que politicamente está mais desguarnecido à espera de lideranças, depois que o lulismo a abandonou. Cabe lembrar que aqueles setores que o governo Lula ajudou a alavancar economicamente e com um discurso populista, estão situando-se em uma nova posição social e isso certamente influenciará a direção que seu olhar e seus interesses se voltarão. Talvez aí esteja a oportunidade para a oposição voltar a marcar posição, após tantos anos de “indefinição discursiva”.

Bem, o fato é que Aécio parece ser o “cara” da oposição em 2014. Aliás, deveria mesmo ser o cara. Por enquanto sua estratégia está correta, não há mesmo que fazer reinar a intolerância. O momento é de marcar posições, quebrar com a hegemonia do discurso politicamente dominante, mostrar que existe “algo a mais”, esquadrinhar a classe média, renovar a postura discursiva e estabelecer, sempre, um contraponto, ao governo Dilma, fazendo-o reportar-se não somente à mídia, mas à lideranças da oposição. Isso vai estabelecer fronteiras e a população poderá ver que existe algo a mais, uma alternativa.

Enfim, se for por aí acredito que a oposição sai dessa situação paralisante. Mas, é um trabalho de médio prazo. Uma guerra de trincheiras. Aécio pode não ter o “clamor” discursivo, mas é o cara que pode se colocar como alternativa ao PT. Em si, ele já significa alguma renovação. O necessário é continuar, avançando para um novo discurso e para uma nova postura. 2014 será bem mais interessante.

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