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Posts Tagged ‘Educação’

Neste 21 de maio a coluna de Jose de Souza Martins (prof. emérito da USP) no Aliás discute a questão da língua brasileira que ocupou largos espaços de discussão nesta semana. Martins nos lembra que o português formal resultou de uma imposição colonial sobre o modo de falar dos brasileiros, o nheengatu, ainda no início do século XVIII. Mais tarde, no contexto das imigrações, foram proibidas línguas e dialetos originais. Tudo em prol da disseminação de uma língua nacional. Tudo isso sempre no contexto de autoritarismos políticos. Isso é inegável. Inegável também o fato de inúmeros sotaques terem sobrevivido na fala, mesmo que escrevamos o português da norma culta.

O que Martins nos chama a atenção, entretanto, é que, se de fato houve esta imposição histórica, e que haja legitimidade no reconhecimento da fala popular, a questão se baseia numa premissa falsa: “A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros”.

Ora, nem uma coisa nem outra. Nem a classe dominante usa a língua culta nem os populares só falam a sua variante. Não há porque tratar a questão de forma maniqueísta então. Reduzir a uma questão de dominação de classe pode não explicar absolutamente nada.

A impressão que tenho é que está ocorrendo uma ideologização dessa questão, comportamento muito comum nos tempos do governo Lula, onde as variantes populares alcançaram um nível de legitimação sem paralelo e sempre calcadas na própria fala presidencial.

Ideologizar esta questão só servirá mesmo para constinuar-se a insistir na grande tese do governo Lula de que “existe uma elite preconceituosa no país”. Se existe? Claro que existe, mas que isso seja discutido e combatido não só com palavras de ordem e maniqueísmos e sim com largos programas educacionais neste país.

Aliás, quando foi a última vez que se discussão educação e cultura neste país? Vivemos sob o império da técnica e do consumo supérfluo, e isto só serve para alimentar um tipo de emancipação que é de ordem exclusivamente material. Qual o espaço para o crescimento educacional?

Será que ideologizar a questão da linguagem popular vai servir para justificar a ausência de debates, e ações concretas, em prol da educação? Parece, infelizmente, que sim.

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Dilma e a educação

Neste domingo, a Folha de S. Paulo publicou um artigo (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2002201107.htm) da presidente Dilma e gostaria de fazer apenas umas rápidas considerações. A presidente está correta quando diz que a noventa anos o país era oligárquico e que a questão social era “caso de polícia”. Segundo a presidente, ganhos econômicos e sociais recentes permitem uma renovada confiança no futuro. Mas, é preciso ter cautela, ou então ser mais ousado.

O que se tem feito, nos últimos tempos, é a manutenção de uma política de estabilização econômica somada a distribuição de recursos sociais para os setores mais carentes. Além disso, a conjuntura econômica internacional tem permitido uma expansão econômica que mobilizou crescentes exércitos de mão-de-obra menos qualificada. Sem dúvida, são passos interessantes, mas para onde levam?

Não podemos fechar os olhos e comemorar. Falta muito, o principal. Ou seja, aquilo que poderá permitir que realmente se aproveite as janelas de oportunidade que surgem no mercado internacional. É a hora de se falar de educação de qualidade. Sem um projeto como este nenhum país conquistou um lugar ao sol. E este debate não existe no setor público brasileiro. É preciso que se ultrapasse essa onda de entusiasmos com a expansão do mercado interno e se parta para soluções mais efetivas para o conjunto da sociedade.

Por enquanto, o que temos é o aumento de “consumidores”, resultado da expansão do crédito e de novos empregos, principalmente na classe C. O que precisamos, além de “consumidores”, é de “cidadãos”, e isso só se conquista com uma sociedade forte, educacionalmente falando. Não queremos simplesmente nos reunir numa praça pública para depor ou aclamar um presidente, mas, principalmente, usufruir de benefícios sociais e ter a clara noção dos deveres que uma sociabilidade civilizada impõe. Aí sim, dependeremos menos de “vontade política” de governantes.

A presidente está correta em seu diagnóstico e em sua aposta na educação, afinal, o crescimento econômico, por si só não nos levará a um patamar mais elevado. A educação sim. Ela nos permitirá fazer escolhas e tomar o rumo de nosso destino como cidadãos, e não somente como “consumidores”. É esperar, torcer, e acompanhar. Mas, é preciso mais que uma aposta, mais do que “vontade”, é preciso efetivamente criar condições. Sair do âmbito do discurso e ir em direção às políticas públicas.

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