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Posts Tagged ‘F. Limongi’

Em entrevista à Folha de S. Paulo nesta segunda-feira Fernando Limongi (professor titular da USP) (http://www1.folha.uol.com.br/poder/891457-com-petistas-e-herdeiro-de-acm-kassab-lanca-partido-em-salvador.shtml), cientista político, afirmou que a criação do PSD pelo prefeito de SP, Kassab, mesmo que venha a ser incorporado pelo PSB, não quebrará a polarização PT-PSDB. Para Limongi, as disputas para o Executivo já são bipartidárias. Talvez o que esteja acontecendo é que o PSB busque se fortalecer na relação com o governo, numa disputa direta com o PMDB. O partido precisaria de um esforço de nacionalizar-se, e nem assim haveria garantia de real crescimento. O PT já ocupou bem este espaço. PT e PSB mantém um acordo de “complementaridade” e o PT não compete onde o PSB é muito forte e isso explica boa parte da ascensão do PSB, como uma espécie de “suporte do PT” em certos locais. É a relação, quando se trata de governo, que está frágil, pequena. Mas, para melhorar seu espaço vai lançar um nome contra o PT em 2014? Por outro lado, é questionável, inclusive, a força política de Kassab que, teria sido eleito em São Paulo graças ao apoio do PSDB. E, sem o PSDB, qual seu discurso?

Quanto ao bipartidarismo das disputas pelo Executivo, para Limongi há uma forte tendência nesse sentido. Mas, o que explica isso? A presença de muitos eleitores flutuando, sem identificação partidária e, ao que parece, sem motivação para a constituição de uma terceira via. O custo de “furar” um esquema bipolar como este é muito alto, não é impossível que alguém consiga, mas é muito difícil. O fato de já termos 5 eleições sendo decididas somente entre PT e PSDB merece ser estudado. E isso tem acontecido mesmo com estes partidos perdendo espaço no Congresso Nacional. Talvez o mesmo processo do Executivo venha a se repetir no Congresso. O fato é que há uma “nacionalização” da disputa, e é essa disputa em nível nacional que está “organizando toda a competição”. É uma lógica que está se impondo. Agora, é claro que uma sistema com poucos partidos é sempre perigoso pelo risco de reduzirem a competição e se tornarem oligopolistas. Existe uma lógica por trás de tudo isso: a “Lei de Duverger” onde sistemas majoritários conduzem ao bipartidarismo. O custo de entrar na disputa é muito alto, então o número de partidos tende a diminuir. E, para isso, a reforma política ou a intervenção do judiciário, não é, necessariamente, a solução.

E, se tudo isto se dá em meio a um contexto pouco ideológico é porque os partidos, na disputa concreta, acabam criando um metro único e dividindo o espaço desse metro. Por exemplo, quando o PT, para governar, teve que ir mais para o centro acabou empurrando o PSDB mais para a direita. Enquanto isso, os demais partidos disputam as migalhas e, para isso, correm para o governo, tornam-se fortemente pragmáticos. Buscam recursos para fazer política pública e conquistar o eleitor. Então, fazer coalizão é barato, não se compara ao custo de querer disputar o posto principal do Executivo. Por outro lado, fazer oposição é luxo. O PSDB tem gordura, mas o DEM minguou quando virou oposição e perdeu acesso a políticas e recursos. Para os partidos pequenos, é melhor ser anódino. Se o PSDB estivesse no governo, eles estariam juntos.

Fiz uma análise desta questão do novo partido de Kassab, sob o ponto de vista mais ideológico, em um outro post.

(https://estudosqualitativos.wordpress.com/2011/03/11/partidos-amorfos/).

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