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Posts Tagged ‘Filme’

“O Retrato de Dorian Gray” e o princípio do prazer.

Comento a versão mais atual do filme, ainda nos cinemas.

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Não assisti ao filme “Um Lugar Qualquer” de Sofia Coppola mas, lendo a Cult deste mês notei uma entrevista da diretora em que comenta sobre o seu filme. Segundo Sofia o filme é uma tentativa de demonstrar sua desaprovação ao estilo hedonista tão em voga na vida atual. Para isso, se utiliza de um tema que há muito é um clichê no cinema: a celebridade rica, famosa, mas infeliz e solitária. Qual a solução que ofereceu ao espectador? Não sei, pois como disse não assisti ao filme.

Mas, reproduzo seus comentários na entrevista. No filme, estou apenas olhando para nosso fascínio com a cultura de celebridades e para o fenômeno dos dias atuais de tanta gente querer ser famosa. E, também, para a vida moderna e todas as suas distrações. É difícil ficar quieto e ser introspectivo. E Johnny [personagem principal] se encontra no momento da vida em que tem de escolher qual caminho seguir… Eu gosto de personagens em transição, que estão decidindo que caminho querem seguir (Revista Cult, 158, junho de 2011, p. 12, entrevista a Martyn Palmer, de Veneza).

A temática é relevante, principalmente por tocar na questão do silêncio em uma sociedade tão marcada pelo intenso “barulho”, por ruídos de toda espécie, perturbando qualquer tentativa de introspecção. Vale a pena conferir a solução que ela oferece para mais este paradoxo desta modernidade acelerada em que vivemos.

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“Meia Noite em Paris” e o sentido fornecido pelo passado.

Comentário sobre este filme de W. Allen que nos relembra da força inspiradora do passado, tão esquecida nestes tempos atuais de novidades e descartabilidade. Clique no link e leia.

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“Onde vivem os monstros” e o mundo mágico da onipotência infantil.

O filme é um clássico infantil. Mas, se observado com atenção, é uma bela oportunidade de visualizarmos aquele mundo mágico que construímos antes da superação de nosso narcisismo e do necessário reconhecimento da realidade, dos limites e dos outros. Click no link e leia o comentário do filme em detalhes.

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“Lembranças” e a tragédia do herói.

Considerações sobre o filme.

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Em novo artigo do prof. Sérgio Telles a gagueira é o tema principal (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110319/not_imp694010,0.php). utiliza de observações sobre o filme “O Discurso do Rei” recentemente premiado pelo Oscar. Ele nos diz: A fala é o selo que nos diferencia dos outros animais. Implícita no conceito de palavra está a possibilidade de simbolização e representação da realidade e de nosso mundo interior. A palavra permite a expressão de nossos sentimentos mais evanescentes, além da transmissão da informação e conhecimento, viabilizando o entendimento e a aproximação com nossos semelhantes. Mas também a palavra pode ser uma arma poderosa, afastando ou rompendo relações.

Sobre suas possíveis causas nos fala da dinâmica das relações familiares na qual a criança está imersa. Para a psicanálise, a gagueira aconteceria quando o próprio ato de falar ou o conteúdo da fala adquirem um significado inconsciente inaceitável, expressando desejos proibidos. Neste caso, as palavras e a fala assumem uma conotação extremamente perigosa, tornam-se capazes de seduzir e controlar os que as ouvem ou, recuperando a força mágica das antigas pragas, imprecações e maldições, podem ferir e destruir aqueles a quem se dirigem.

Telles ainda nos faz uma observação interessante. Critica o termo “gagueira” como algo que evoca zombaria, da mesma forma que “pselismo” ou “disfemia” são termos técnicos frios demais e distantes do sofrimento implícito àquilo que se referem. Talvez “tartamudo” e “tartamudez” transmitam condignamente o peso da condição por elas representada, este estado que lembra a mudez, o silêncio forçado, com tudo que isso pode representar de fechamento e impossibilidades. Elas apropriadamente dão conta da grandeza da luta que esta parcela da humanidade é forçada a empreender diariamente, sem alardear a coragem e a determinação exigidas para tanto. Com relação ao filme diz que devolveu a dignidade e o respeito à questão.

Sobre este “significado inconsciente inaceitável” que pode representar a impossibilidade de falar, escrevi algo anteriormente sobre este mesmo filme (https://estudosqualitativos.wordpress.com/clinica-2/filmes-sob-o-olhar-psicanalitico/o-discurso-do-rei-e-a-dor-de-nao-poder-falar/).

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Acabei de assistir ao filme “Zona Verde” (Paul Greengrass, 2010) que foi aos cinemas no final do ano passado e deixei “passar batido”. É um filme muito interessante. Mistura cenas de conflito de rua muito bem feitas com um roteiro muito inteligente. Acho que além de retratar bem o vexame que significou a “fabricação” de uma prova que permitiu a legitimação da invasão ao Iraque (a suposta existência de armas químicas de destruição em massa), serve para mostrar a multiplicidade de interesses que existem quando de uma revolta popular ou de uma invasão estrangeira.

A poucos dias escrevi alguns posts sobre a questão das revoltas populares árabes e tenho insistido justamente nessa multiplicidade de interesses existentes numa questão como essa. Muitos têm se levantado a favor da permanência de Kadafi, por exemplo, alegando que se trata de uma questão interna e que ele pode, perfeitamente, se “defender” das revoltas. Mas, aí entra a questão humanitária e alguns outros defendem uma intervenção estrangeira. É uma questão muito polêmica. O fato é que existe uma população se revoltando e tirando a legitimidade de Kadafi. Onde entra a comunidade estrangeira? Talvez com a criação de uma zona de exclusão aérea para impedir um verdadeiro massacre interno. O resto se resolve lá mesmo, internamente. Uma intervenção estrangeira, só se fosse exclusivamente pacificadora e com a garantia que o poder interno seria discutido exclusivamente pelos diversos interesses internos. Mas, infelizmente acho uma proposta irrealizável pela política.

Uma coisa é certa. Não há como “fabricar” a democracia, impondo-a de fora para dentro. Trata-se de um aprendizado e terá que ser vivenciada, com todos as suas possibilidades de erros, pelas forças políticas internas. Certo está o volume crescente de contribuintes norte-americanos, cada vez mais cansados de ficar contribuindo para sustentar uma máquina de intervenção militar. Isso, entretanto, não exclui a existência de forças militares sob o comando da ONU.

É por isso que a politica externa de Lula sempre foi paradoxal e insensata. Apoiava abertamente ditadores com a justificativa de não querer se envolver em questões internas daqueles países, preservando o respeito à sua autonomia. Onde está o erro? Fechava os olhos para as questões humanitárias como a defesa da liberdade e da vida, principalmente. Não conseguia ir além do oficial, do institucional. Lula, realmente, na política externa, virou um prisioneiro do formalismo institucional e do elitismo típico dos governantes. Mas, é algo que, me parece, com a presidente Dilma, está recebendo uma outra orientação, até porque as pressões políticas são muito fortes.

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Impossível não começar o sábado lendo a coluna quinzenal do professor Sérgio Telles no Estadão: “Oscar, Godard, Carnaval” (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110305/not_imp687940,0.php). Na urgência de dois temas relevantes, um que acabou de passar e outro que se apresenta, Telles, se situa em meio aos dois para nos fornecer algumas belas formas de olhar a realidade. Por exemplo:

1) Comenta sua preferência pelo “Cisne Negro” quando da premiação do Oscar e dá sentido ao filme quando explicita a “relação fusional” entre a bailarina e sua mãe, uma relação onde está excluída a presença do pai e, por isso mesmo, abre as portas para a psicose, algo bem demonstrado no filme. E nos relembra que, quando de sua morte no ápice da apresentação teatral o que ocorre é o “fracasso no êxito“, um conceito freudiano segundo o qual, para alguns, o êxito é vivido como um triunfo vingativo sobre antigos desafetos, o que gera culpa e temores de retaliação. Esta frase é brilhante e extremamente elucidativa acerca de muito o que vemos na clínica, no dia-a-dia. O triunfo de Nina sobre a mãe, portanto, gerava uma culpa inominável que só foi eliminada com a própria morte. Nesse sentido, e seguindo a trilha aberta pelo professor Telles, me arrisco a dizer que o seu êxito ao final (a libertação da relação fusional e da culpa) veio com o seu fracasso (morte na cena final);

2) A leitura que o professor Telles faz da indústria cinematográfica é muito lúcida. Reconhece de um lado o objetivo da lucratividade com filmes de entretenimento (o que, afinal, cria um refúgio temporário para o espectador), mas fornece, também, obras de fôlego como o Cisne Negro. Claro que nem tudo é como Godard, que nos tira da zona de conforto e nos causa estranheza;

3) Nos fala do carnaval como uma dessas datas fixas que acabam por nos fazer pensar acerca de nossa identidade e como mudamos. Nesse momento, o professor nos brinda com uma de suas lembranças de infância, em Fortaleza, onde a batida soturna e hipnótica me enchia de pavor toda vez que a ouvia ao longe, quebrando o silêncio da noite. Era o maracutu descendo a rua e anunciando a chegada do carnaval. Depois, as figuras com o rosto pintado de preto retinto, trajando vestidos brancos com longas saias rodadas, girando devagar ao som do ritmo grave e soleneAssustado, eu temia que aquelas figuras de cara preta saíssem da formação e me levassem definitivamente para o misterioso mundo que habitavam e do qual só saíam uma vez por ano… Voltávamos então para dentro de casa, enquanto o maracatu se dirigia para seu destino encantado. Aos poucos, o som ia se perdendo na noite escura, deixando um rastro de enigmática tristeza. Tudo voltava ao normal e eu ia para a cama, aliviado por ter escapado mais uma vezNas vésperas de mais um carnaval, tão distante das figuras do maracatu, percebo que persiste em mim, talvez até mais forte, o temor de ser arrebatado para os mundos sombrios dos quais o retorno é impossível.

Fantástico. Não só como escrita de uma memória, de uma lembrança, que, à medida que o tempo passa vai se tornando nossa mais fiel companheira e dando o real significado de nossa existência, mas também fantástico por nos restituir aquele mundo fantasioso que tanto cultivamos quando crianças e que, aos poucos vamos nos distanciando, para, mais tarde, nos encontrarmos novamente com ele, e percebermos que ele nunca nos deixou… Sempre esteve por perto, nos lembrando de nossos medos e desejos. Obrigado, professor Telles, de nos lembrar, em tão poucas linhas de sua coluna, de algumas coisas tão importantes.

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(filme) “Justiça a Qualquer Preço” e o abismo da perversão.

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(filme) “O Senhor das Moscas” e o retorno do estranho.

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