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Posts Tagged ‘Oposição’

Blindagem de Palocci me lembra novembro de 2005.

Palocci não cansa de fornecer elementos que “ferem” a boa política, mas sempre foi um homem de “confiança” da oposição.

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Depois da publicação do artigo do ex-presidente Fernando Henrique, e passada aquela fase imediata onde o “desentendimento” predomina e onde a inteligibilidade naufraga diante dos oportunismos ideológicos de discursos demagógicos e popularescos, começaram a surgir análises dotadas de alto significado. Uma delas foi a de Gaudêncio Torquato no final de semana passado e outra que gostaria de destacar foi o do professor Marco Aurélio Nogueira, de hoje (23/04), no Estadão.

O título do artigo, em si, já é revelador (Leituras Enviesadas) e o que o professor destaca é o seguinte: havia ali algo incômodo: uma provocação eficiente, uma verdade finalmente revelada ou a confirmação cabal de algo conhecido, mas que parecia esquecido. Mas, teria obtido ressonância onde seria mais necessário nesse momento, o PSDB? O professor também destaca que diante de tanta reação ficou difícil realçar seu núcleo argumentativo. E, quem ousou isso teria sido rechaçado pelo patrulhamento ideológico. E, como isso se deu? Quando o ex-presidente realça as novas classes médias como um largo setor social sem maior representatividade política (o que é um fato) foi imediatamente associado a alguém que tem horror ao povo. Independente de preferências partidárias, essa postura é infame e desonesta.

E quem liderou esse movimento de queimar o artigo de Fernando Henrique em praça pública? O ex-presidente Lula. Mas, por que Lula reagiria dessa forma a um debate proposto por Fernando Henrique, ainda mais que o debate não era diretamente com ele? Ora, qualquer passo que se dê em direção a uma tentativa de desconstrução do governo Lula, principalmente do ponto de vista ideológico, será tratado dessa maneira – onde tudo é resumido à “preconceito”, “horror ao povo”.

Está mais do que claro que Lula não se aposentou e deseja, o mais rápido possível, voltar ao poder e só o fará se reconquistar a classe média perdida, a mesma classe média que o abandonou quando do escândalo do mensalão e que ele mesmo a largou quando assumiu sua nova discursividade sustentada numa dinâmica conflitiva entre “nós versus eles”. Então, daqui pra frente o que veremos será uma sucessão de respostas intensamente ideológicas e rasteiras, visando desqualificar qualquer “insinuação” por parte da oposição, ainda que seja uma “insinuação” de ordem intelectual.

Ora, na mesma semana, Lula declara que, em São Paulo tem o desejo de conquistar os herdeiros do malufismo e do quercismo. O que é isso? Ou estou ficando maluco, ou existem dois Lulas. Prefiro ficar com a segunda opção. Existem dois Lulas, um que joga para a grande platéia, ou seja, para o “povão”, desqualificando qualquer debate e restringindo-o a uma meia frase incompreensível, descontextualizada e desrespeitosa, e outro Lula que joga o jogo da política, aquela política do poder a qualquer custo. E o pior, no dia anterior a proclamar este seu desejo pelos malufistas, ainda disse que o PSDB não tinha perfil ideológico.

Passado este momento inicial, caberá ao PSDB aproveitar o momento para discutir essa questão levantada pelo ex-presidente Fernando Henrique, afinal de contas, o que existe de mais concreto em tudo isso, como disse o professor Marco Aurélio Nogueira é que a classe média é um fato da vida e cresce na medida mesma em que se mostram eficazes as políticas sociais destinadas a reduzir a pobreza. O pobre que deixa de ser pobre pode até ser agradecido ao governo que o libertou, mas estará disponível para novas aventuras políticas pelo próprio fato de ter ingressado em outro universo social.

Talvez seja justamente isso que atormente Lula, ou seja, se deparar com um setor social que, agora, já sabe no que existem muitas coisas a pensar e levar em conta, além da “esperança”. O ex-presidente Lula tem todas as chances de voltar à presidência e de ter o seu lugar na História, mas precisa entender que a História não é feita exclusivamente por ele, e que a política merece um discurso mais sustentado na honestidade e não só na infâmia. É esperar e acompanhar o debate.

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