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Em entrevista (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po0404201111.htm) o filósofo Marcos Nobre, da Universidade de Campinas, fala de uma “peemedebização” estaria em andamento no país, ou seja, algo que combina “adesismo” e “lógica do veto”, onde fazer política significa mais vetar que formular propostas.

O filósofo citou como exemplos desse processo a criação do PSD e a decisão do STF sobre a Lei da Ficha Limpa, tudo fruto de uma “cultura política peemedebizada”, uma cultura política que evita o confronto aberto e opera com uma lógica de veto… Não há um discurso positivo, não há uma tentativa de formar maioria e partir para o confronto. O que há é o veto e a tentativa de contornar os vetos. Há um bloqueio das discussões públicas que dissocia a política da sociedade. Trata-se de um modelo que se reforçou em muito após o mensalão.

Qual a relação com o mensalão? Com a crise, PT e PSDB perderam consistência após Lula ter se afastado do modelo polarizado em prol de um centro difuso. A diminuição do confronto permitiu que a lógica do peemedebismo retomasse um papel central. O fim da polarização é a vitória do peemedebismoO problema de Dilma é que ela recebeu um passivo político quase inadministrável… Ela recebeu uma quantidade enorme de acordos feitos por Lula, e todos muito generosos. São acordos com centrais sindicais, partidos, empresários, mercado etc. Mas Dilma não tem como manter todos. Há um limiteSe todo mundo está dentro e se todo mundo pode vetar propostas, o resultado é a paralisia.

E qual a solução para Dilma? Ela terá que mostrar que não há espaço para todo mundo e negociar acordos a um preço mais baixo. Dilma tem um “excesso de adesão” e isso é um fator limitador para os interesses de Kassab e do PSD, maior  expressão do peemedebismo. É a banalização da política. É um partido com discurso anódino, sem consistência, que gosta de se afirmar sem posição ideológica definida.

Uma boa questão, nesse momento, seria: Quais as condições e possibilidades de uma afirmação da oposição no cenário político? O primeiro passo é a constituição de um discurso. E isso exigirá uma leitura muito “fina” da realidade, pouco apegada aos fatos superficiais e episódicos e com mais capacidade de enxergar aquelas limitações que estão ocorrendo por baixo e que, mais à frente, serão a marca da gestão de Dilma. Se a oposição imagina que poderá ir se firmando em torno dos fatos criados pelo governo vai dar com os burros n’água. Uma leitura fina da realidade e um discurso consistente podem ser fundamentais para o médio prazo. 2012 está bem perto para já ir testando algo, mas para isso, é preciso começar. Não podemos esquecer que esse processo de peemedebização é fruto de um movimento feito por Lula no sentido do centro político, mas também é reflexo de uma descaracterização maciça do conteúdo da oposição no país.

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