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Posts Tagged ‘Sindicalismo’

O Primeiro de Maio está chegando e com ele uma velha discussão: o financiamento público de eventos sindicais. Ora, já a muito questionadas pela cobrança compulsória de impostos aos trabalhadores, agora o que se vê é o patrocínio com dinheiro público de ações festivas patrocinadas pelos sindicatos.

Algo está desvirtuado. Nascidas para dar voz e resistir em nome do trabalhador as centrais entraram em uma fase de acomodação ao “governismo irresistível“. Uso este termo para mostrar o quanto se abandonou princípios e comportamentos em prol de um “lugar ao sol”. Notícia hoje da Folha de S. Paulo revela que Petrobrás, BB, CEF e Eletrobrás vão financiar boa parte destes eventos.

Mas, a questão não pode ser avaliada somente quanto a esse aspecto. Não se trata de uma simples ajuda federal a eventos populares, isso é só parte do que realmente está acontecendo. Se olharmos com atenção veremos que, no aparelhamento estatal promovido por Lula, a presença de uma elite sindical é fabulosa.

O que é isso? De outro lado, vemos diversos movimentos sociais sendo bancados pelo Estado. O que é isso. Isso é o que já se chamou de “monopólio da política” levado a cabo pelo governo Lula, num amplo movimento de apropriação dos movimentos sociais e sindicais que, diante da expectativa de um “lugar ao sol” cederam sua voz ao Estado. Talvez seja mesmo a hora de se repensar a questão das cobranças de impostos sindicais. Até mesmo porque tudo se resumiu a sorteios e distribuição de bens.

É mais um dos “abandonos ideológicos” em favor de algo maior: o “governismo” que assume, desde os anos Lula uma faceta “irresistível”. Quem ainda quer definir-se como “oposição”? Ou, quem ainda consegue definir-se como “oposição”? Quem ainda está disposto a resistir e lutar por direitos? Quem está disposto a empunhar alguma bandeira? Afinal, cabem todos no Estado. Há lugar para todos. Pelo menos é isso que a voz governista diz.

Realmente ainda se está vivendo uma festa… a questão é o que fazer se a ressaca chegar.

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Recentemente Dilma esteve em reuniões com sindicalistas e um dos temas que sobressaiu das conversas é a possibilidade de flexibilização na cobrança da contribuição sindical, que passaria a ser legítima a partir de aprovação em assembléias com os sindicalizados. Este é um exemplo da “tensão” e da “turbulência” que tem marcado a relação de Dilma com as centrais sindicais neste início de governo. Logo em seguida, vemos movimentos de Alckmin e de Aécio no sentido de se aproximarem de lideranças sindicais, inclusive convidando-as a participarem de cargos no governo. Ora, daí três coisas me chamam a atenção imediatamente:

1) A “tensão” de Dilma com o sindicalismo é apenas mais um movimento no sentido da flexibilização daquele monopólio político levado a cabo por Lula, que “abraçou” alguns movimentos sociais e “cuidou” deles. Agora, em uma nova fase de “reorganização” da máquina do Estado tais relação paternais podem começar a ser questionadas. Dilma pode estar assumindo o papel de “mãe suficientemente boa” (Winnicott), ou seja, aquela que não deixa de dar atenção a seus filhos, mas não impede que eles cresçam buscando alguma autonomia. É essa autonomia que as centrais sindicais devem se acostumar. O que Dilma faz, nada mais faz que ir em direção à uma maior flexibilização das relações entre capital e trabalho (tema no qual o Brasil é campeão em sustentar tradições). Não quero levar esta discussão para o “neoliberalismo”, mas Dilma é ou não a grande responsável pelo maior “gerenciamento” do capitalismo brasileiro na atualidade? E o que ela está fazendo é cuidar mais da casa. Pelo menos é isso que deixa transparecer. É claro que esta “tensão” não se transformará em “colisão”, é apenas uma “discussão de relação”.

2) O “namoro” do PSDB com lideranças sindicalistas é desprovido de um verdadeiro “afeto”. Uso esta linguagem somente porque falei de “namoro”. Mas, o que, de fato, o PSDB tem a ver com o sindicalismo? Que tipo de namoro pode surgir daí? Me parece que, somente, uma relação baseada em interesses imediatos e oportunistas. Representaria algo significativo para o partido e a oposição no médio e longo prazo? (estou falando em eleições) Não acredito. Isso não significa que o partido ou a oposição não tenham uma posição e propostas em relação ao sindicalismo, mas querer um “namoro” a esta altura do campeonato… soa como cômico. O que o PSDB está fazendo é aproveitando um momento de “discussão de relação” de Dilma com o sindicalismo para se insinuar e colocar sua sedução para funcionar.

3) É de se perguntar, legitimamente, qual o papel do sindicalismo na política atual. Como a sociedade enxerga o sindicalismo? Como os próprios trabalhadores enxergam o sindicalismo? Como a sociedade enxerga o sindicalismo? Como uma representação legítima? Como “máquina” e aparelhamento? Honestamente, não vejo razões que transformem o sindicalismo em uma “noiva” a ser tão desejada assim. Falo isso olhando para a política atual e em como a sociedade está se comportando.

Seria um simples “affair” do PSDB… ou um caso mais explícito de “relação a 3”? Não vai dar futuro! O que não exclui ganhos oportunistas e imediatistas, como dissemos. Não seria o momento do PSDB se posicionar nacionalmente com relação à estas questões espinhosas sempre que surgissem? O dia a dia da política acaba atrapalhando.

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